Esmagar as migalhas

novembro 10, 2018

goya1

É preciso em tempo de azia consertar os palpites e esmagar as migalhas. A força vai por baixo da porta, tateando o susto. Aqui funcionava um parágrafo, antes do mugido na coxia. E agora se percebe que todo toldo teme o boldo. Que a fantasia retrocede, o ar sufoca, e aí? Vale seguir tosquiando bodes e bulindo nos bondes? Da última não escovaram os dentes com graxa do mesmo jeito? Não há paçoca sem contrapartida. Mesmo se a mandíbula da toga trocar de locutório, não se trata sempre do comprimido descrito? Eu digo, tem veneno na rima, espanta mesmo que os corretores balizem o carvão oblíquo. Corre até que as raízes do telhado contribuíram com o suplício do místico. Acho que não. Não tem nada aberto a esta hora.

Acaba Mundo CXXXVIII

novembro 9, 2018

quick

Hoje são nove de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Toquinho diz que Bozonazi e Mourão dão segurança. Caramba, se o que essa gente precisa é de uma figura paterna, a coisa deve ser mais freudiana do que política. Membros do MP, onde eu costumava trabalhar, se posicionaram a favor da mordaça nas escolas, alegando que “não há censura onde não há liberdade de expressão”. A gente é que fazia força para não ver o fascismo dessa casta, ou do vizinho: a escrotidão sempre esteve aí à espreita. Enquanto eu me faço de blasé, ou me vejo acima de tanta asneira, ameaças a historiadores são feitas em Pernambuco e acampamento de vinte anos, produtivo, do MST é expulso em Minas. Bom, e o que está em minhas mãos fazer? Não tenho mais vontade de comentar sobre o comportamento das personalidades políticas, mas o massacre do PT segue após a eleição, com uma ajuda do ególatra que finta pela esquerda e passa pra direita. Vamos ver se seu registro vai ser cassado no fim. Isso tudo naturalizado como se fosse tomar um sorvete, é claro. Já não há referência de verdade ou mesmo do plausível, e a realidade segue adiante, mole, feito azougue. Acaba mundo.

Acaba Mundo CXXXVII

novembro 8, 2018

rapa

Hoje são oito de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. A calamidade do dia foi protagonizada pelo Chicago Boy, que desdenhando do congresso – seja por ignorância ou arrogância é de se perguntar – teve que ouvir uma aula do Eunício de como orçamentos se aprovam (em tese) no ano anterior. Depois de conceder o aumento para a alta casta do funcionalismo, nossos parlamentares tiraram mais recursos da educação. Vai todo mundo se formar por correspondência, como o capitão. Extinção do ministério do trabalho, que era só boato, foi declarada e sabe-se lá se vai ser desmentida, e que importa mais? Eu já não tenho ânimo para acompanhar cada notícia, denúncia, preso, ou o que seja. É tóxico isso. Hoje eu escutava Renaissance e a voz da Annie Haslam me convenceu de que quero coisas doces. Até rapadura eu comprei. E o mundo que se acabe.

Desde o advento do vento

novembro 8, 2018

Pollock7

Não se acha mais um axioma pitoresco nos alpendres da suficiência. Desde o advento do vento a remela era coisa vulgar, fantasma que não assusta. Não dá pra saber se a coruja almoçou ou se tocou o alarme. Ela disse que é besteira, que a garganta dá pro gasto, um dia quem sabe a gente se banha em água pesada e esclarece tudo. Até a patativa é putativa, registrada em cartório e tudo, conforme a fórmica. A gente sai a buscar os contrários dos antônimos por entre os grãos da discórdia e o que encontra senão a obliquidade das quinas? Não se deve competir com hipopótamo, eu sei onde vende algo ótimo pra isso. Ninguém tira essas lhamas do episódio? Será preciso engraxar a flexão da parcimônia? Todos podiam combinar que dezenove não é vinte, propôs a primeira borboleta a ir à lua. Foi a última vez o piloto coçou o nariz.

A essência do sódio

novembro 7, 2018

El_jardín_de_las_Delicias,_de_El_Bosco

Supõe-se que os cetáceos saibam a essência do sódio e o sabor do sono. Em conluio com o lúgubre, decerto, porque mais de setenta insetos soltam o tríptico. Como se barganhassem com o crepúsculo, esperando o saldo devido. Isso é fel com adoçante, suspiro de pássaro, isso é tudo que a planilha pede, acredita em mim. Já é a quinta quintessência que anunciam, campeando as secantes da filigrana. Mais um pouco e o biscoito emético congratula o canguru túrgido. O que resta é besuntar o fatalismo das facécias com um conglomerado de práticas viperinas, assinaladas pelo plástico. No trote tépido da cúpula, bem antes de as mexericas vaticinarem o tráfego, já era possível vestir a praça sem que o cirurgião surja. É o alento da foca, o costume do alienígena.

Acaba Mundo CXXXVI

novembro 7, 2018

unicamp

Hoje são sete de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. O implacável inquisidor de Curitiba diz que admira o pulha do Lorenzoni, e quanto à confissão de caixa 2, prática que igualou a trapaça eleitoral quando era do seu inimigo, singelamente observou que o pobrezinho já pediu desculpas. Moro na coletiva falou sobre o PT sem ser perguntado, o que lhe revela bastante da cabeça. Sinal estranhíssimo vindo do TSE: diplomar o saco de bosta antes de sua cirurgia. Precisam garantir que o cavalo de Troia entre, é isso? Está mesmo morrendo de câncer? Outro dia eu vi uma matéria, de algum veículo grande, dizendo que no vídeo da TV o médico dizia sim “câncer de intestino”, mas de brincadeira. Não sei nem como se publica isso. Vamos ter que bater continência pro Mourão, ao que tudo indica. Nas eleições americanas os democratas avançaram na casa baixa, e houve grandes vitórias para as mulheres, gays, latinos e negros, aparentemente. O que a gente quer saber é se vão Dilmar o Trump. Ia ser mais um espetáculo. Fui convocado pra entrevista na Unicamp, semana que vem, e na seguinte será o evento shakespeareano, também lá no IEL. Vamos ver até que ponto eu queimei meu filme criticando uma tradução de um deles, ou acusando-os de sabotar meu trabalho, que cazzo que eu fiz! Mas tá feito. Talvez eu fique exagerando isso em minha cabeça. Eu não nasci pra ser popular, eu acho. Mas às vezes parece que viro persona non grata por onde passo. Devo ser uma pessoa abominável. Que importa. Acaba mundo!

Acaba Mundo CXXXV

novembro 6, 2018

jets

Hoje são seis de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Perguntado sobre o Egito, o presidente eleito em exercício pediu pra passar a pergunta, mais tarde tentou responder que apesar de ter anunciado a embaixada em Israel isso ainda não tinha acontecido. Só é meio divertido ver essa gente fazer lambança. Mas enquanto isso, seus apoiadores agrediram mais uma travesti. Um professor foi demitido por adotar um livro com palavras inadequadas, e invasores do Congresso pelo Escola sem Partido (mais uma ação orquestrada?) viraram piada pela ignorância. Eu não vejo graça. Nem me arranco os cabelos mais. pode me chamar de flannêur se quiser. Os EUA passam pela eleição de meio mandato e a máquina de junk news, que é o novo nome proposto depois que Trump sequestrou o termo fake news, está a todo vapor. Fora o fenômeno da Ocasio-Cortez e dos chamados democratas socialistas, estou bem por fora. É uma eleição diluída, local. O que não é local é o anúncio de Rússia, China e Irã de que enviarão tropas à Venezuela. E pra completar,  o SBT fez uma vinheta ressuscitando o “ame-o ou deixe-o”. Querem me ajudar a decidir, é isso? Acaba mundo.

Acaba Mundo CXXXIV

novembro 5, 2018

egito1

Hoje são cinco de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Bolsonaro foi ao Congresso e deixou a imprensa de fora. O evento, veja só, festejava a Constituição. Enquanto os filhos do Bozonazi são vistos com camiseta da IDF e do Mossad, o Egito cancelou a visita do “chanceler” Nunes. Há muita conversa sobre se Moro moderaria o novo presidente. É só um capítulo do “a Constituição vai detê-lo” que já não deteve Hitler. Acho Moro ainda mais perigoso, que se não é inteligente ao menos não é uma toupeira como o Bozo, que é mais uma figura sendo usada por uma retaguarda poderosa. Moro, experiente em perseguir inimigos, está com faca, queijo e goiabada nas mãos, e virtualmente eleito em vinte e dois, se tiver. No mais estou tentando me afastar de toda a espuma opinativa e focar na minha tradução, que espero acabar antes que acabe o mundo.

Recuperar o rosbife

novembro 4, 2018

rosbife-com-batatas-e-cebolas

Agora é recuperar o rosbife. Resolver as cancelas do particípio antes que o caramujo triplique o poço. A geladeira é enganosa, encampa o palavreado todas as noites. Pois bem, que todos emprestem os crânios e balbuciem a bruma, confia-se nos comboios. Ninguém disse que era mágica, foi a frentista que costeou a catequese. Já é hora de ruminar a glosa, girar cambalhotas se preciso, mas rebitar enfim o vento. Do contrário, como conduzir as dezenas às dúzias? Sem que o infenso ferva? Olha, pergunta pro pinheiro, se o aço se humilha atrás de um pintassilgo, se o ódio é perpendicular ao cabide. Faz um favor à formiga e tira a tinta da cadeira de dentista, antes que seja tarde. Se todos combinarmos quem lava louça ou atiça sátiros, pode ser que a praça vença, que o combustível apascente os laivos cáusticos da entropia. Mas até lá vale o fígado.

Acaba Mundo CXXXIII

novembro 4, 2018

sala-de-aula

Hoje são quatro de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Tenho até tentado evitar comentar sobre a figura medonha que é o Magno Malta. Todo pastor oportunista já me é detestável, mas esse sujeito é capaz de tudo para se promover, até mesmo ordenar a tortura de um homem por ele falsamente acusado de pedofilia e exibir isso numa CPI. Olho nesse cara, que tem tudo para se manter na entourage de um estado fascista. E cá entre nós, Ministério da Família não parece saído de Mil novecentos e oitenta e quatro? Me dá arrepio. Hoje os jovens fizeram o ENEM e já tem fascistinha reclamando de conteúdo doutrinário. Esses dias em Vila Velha um professor foi preso pra delegacia, dedurado por uma colega, por comentário na sala dos professores contra a perseguição. Essa é a frente mais preocupante dessa guerra ao pensamento, que vai afetar o cotidiano dos professores e das crianças e adolescentes por toda parte. A grande imprensa por sua parte vai ceder à chantagem econômica e se autocensurar, mas não será preciso muito esforço. Quanto tempo faz que as altas instituições do país agem na ilegalidade com a maciça aprovação desses veículos? Agora aparece um jornalista ou outro decepcionado com seu herói Moro. Tendo a profissão que têm é uma admissão de burrice ou má fé. Essa mídia tem um bocado da responsabilidade pela pós-verdade. Até o William Gibson, de Neuromancer, já está sugerindo uma ficção cyberpunk na Amazônia. Acaba mundo.