Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Acaba Mundo CLXXI

dezembro 12, 2018

Hoje são doze de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Segue a saga da minha acomodação em Toulouse – no time Toulouse! – e já consegui ouvir dois esporros de estranhos em poucas horas. O esporro do cigarro vá lá, eu fui bem espaçoso mesmo, mas à noite me sai um sujeito reclamando da luz da cozinha, que a porta dele é transparente e ele precisa acordar cedo, sendo que nenhuma das duas coisas é de minha alçada. Hoje foi pior, eu já nessa excitação de ser pego no flagra, me aparece na saída do prédio um velho de barba desgrenhada me acusando de ser imigrante ilegal, perguntando minha profissão, rindo da minha resposta, me acusando de estar usando droga (era um cigarro enrolado). É o estereótipo do francês mal-humorado. Aí eu comecei a entrar numa espiral de paranoia, de que iam revistar minhas coisas e achar o bequinho; então eu saí com ele e comecei a entrar numas de que os soldados ou a polícia iam me parar do nada, ou me depararia com um deles com cachorro. Hoje foi o dia de recobrar a calma e conhecer o museu dos augustinos, repleto de escultura e arquitetura religiosa. Algum safado abriu fogo na catedral de Campinas, matou cinco e feriu mais três e se matou após ser baleado pela polícia. Parece que estamos importando o fetiche por massacres, como tudo mais, dos gringos. Fora isso só se fala no tal motorista que servia de laranja para receber o pedágio dos servidores do Bozokid. É uma prática desonesta, mas muito disseminada. Há quem fale mesmo que o caso foi usado por gente do campo deles para manter o mito nas cordas. Vamos ver, pra mim vai sair no mijo mesmo. Acaba mundo, ou ao menos esta semana.

Acaba Mundo CLXX

dezembro 11, 2018

Hoje são onze de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Enquanto aqui na Europa por toda parte há painéis em homenagem aos setenta anos declaração universal dos direitos humanos, no Brasil é empossado – e empoçado também – o mito daqueles que odeiam os direitos humanos, o laudador do arquitorturador, aquele que inventa um avô no exército nazista por charme. E a teocracia quer criminalizar o aborto nos casos previstos, e o país abandona pacto sobre refugiados. O escola sem partido ao menos foi rechaçado, por ora. Hoje eu dei um giro pelo centro de Toulouse – no time Toulouse! – e é uma simpática cidade, vi a catedral e uns jardins bem bacanas. Presenciei o primeiro protesto, dos lycéens, eles parecem ter pautas mais específicas, e percebi que muitos carros colocam o colete, que é um item obrigatório, no painel, em apoio ao movimento. Parece que há um senso de injustiça tributária entre as classes médias, e um anseio, como foi no nosso caso, de aderir a quem questione “tudo que está aí”. Vamos ver qual será o saldo de tudo. Agora há pouco a moça que me entregou as chaves entrou pela porta e ficou puta porque eu legalizei o cigarro no apartamento, legalizei até mais coisa, e agora eu estou meio de butuca aqui. Era um sonho bom demais pra ser verdade essa posse temporária de um apartamento, agora vai ser esquisito ter mais gente nos outros quartos. Que situação. Acaba mundo.


Acaba Mundo CLXIX

dezembro 10, 2018

Hoje são dez de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Parece que o sistema de reservas já sabe que eu sou maconheiro e sempre me põe numa acomodação onde é fácil conseguir unzinho. Fui fazer compras mais cedo saquei a movimentação na hora. Esquema honesto, eu até achei estranho o rapaz argelino (eu ia escrevendo algeriano) simplesmente ter uma sacola de brenfa com ele, mas era isso mesmo. Aliás, acabo de preparar e ingerir uma bela refeição e devo dizer: brasileiro não deve ficar quinze dias sem arroz. Aqui em Toulouse – no time Toulouse! – se fala catalão também, ao menos a voz do metrô fala. Não fosse a geometria absurda das ruas esta região nada bucólica da cidade não seria tão má, pelo menos. E o Brasil está lá, a celebração de cinquenta anos de AI-5 não era pra ser uma celebração de fato. Acaba mundo.

Acaba Mundo CLXVIII

dezembro 9, 2018

Hoje são nove de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Como eu disse ontem, enquanto o pessoal se diverte com ninharias – como diria o personagem do Machado, quer se sujar, suje-se gordo – os sem terra são de fato perseguidos, e mortos: dois na Paraíba. É claro que não é um tipo de crime novo no país mais letal do mundo para ativistas, nem eu acho que tuiteiros por assim dizer progressistas poderiam tê-lo evitado. Mas às vezes me incomoda a falta de foco. Que me importa quem abandone entrevista coletiva, seja Moro ou Lorenzoni, eles precisavam mesmo é de uma entrevista corretiva, e quem está achando que riu por último por conta dessas bobagens não entendeu nada. Uma nulidade que foi secretário do chuchu e responde por improbidade e, pasmem, crime ambiental, após campanha derrotada incentivando assassinato de sem terra, torna-se ministro do meio ambiente, uma daquelas pastas que já foram extintas, incorporadas e ressuscitadas. Como dizem, haverá dois ministérios da agricultura na prática. O desastre ambiental anunciado, na minha opinião, já é motivo para intervenção internacional. É claro que da otan não será, da qual podemos mesmo seguir a Colômbia sendo membro aliado, ou antes protetorado dos godemes. Que exploda. Encontro-me em Toulouse – No time Toulouse! – após visitar o museu da Résistance em Limoges, com um pouco de pressa, e o Manu traduzindo os textos em francês para inglês anulando qualquer chance de entender nenhum dos dois. Foi uma correria chegar aqui no apartamento e receber as chaves, pois não há recepção, mas é um lugar legal, tem cozinha e lavadora, o que é uma mão. Na verdade, se não tivesse me afundado tanto na misantropia, bem que podia estar aqui com uma parceirinha. Dommage. Espero aproveitar esta semana aqui para escrever, e comprar um casaco mais quente, porque daqui em diante é Inglaterra e norte do continente. Tem sido muito bom tirar a cabeça do Brasil, mas talvez eu tenha exagerado na duração da viagem. Eu só queria sair o quanto antes e voltar depois da posse, ou não voltar, dependendo dos desdobramentos. Só depois eu me dei conta de que não sou ninguém na fila do pão e ninguém teria motivo para me perseguir.

Acaba Mundo CLXVII

dezembro 8, 2018

Hoje são oito de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. A França também não acabou com os coletes amarelos, ou ao menos o telejornal diz que os protestos foram menos intensos que nos fins de semana anteriores. Acabo de passar pelo acampamento deles novamente, mas a atividade no interior foi bem pequena. Disse que não acompanhava o Brasil, mas vi alguma coisa. Um determinado motorista do Bozonazi foi pego em movimentações atípicas, incluindo sete assessores do Bozokid fazendo-lhe transferências e um depósito à primeira dama do nazi. O mais bizarro foi a explicação dele, de que era pagamento a uma dívida através da esposa “porque não podia sair”. Isso pode ser um fio da meada para revelar mais coisa, mas por ora que me importa um repasse de vinte e poucos mil, ainda mais sabendo da complacência do sistema ante aqueles do lado certo? O que vai mesmo acontecer é que vão desmantelar mecanismos de controle como o Coaf que pegou o bagrinho. Acaba sendo um bocado de fumaça que alimenta a indignação e as piadinhas de internet, enquanto os índios estão concretamente ameaçados em suas vidas e modo de vidas, enquanto sem terras e sem teto serão perseguidos como terroristas. O faz-me-rir de qualidade sobre o qual eu comentei ontem não aconteceu. É o fim do mundo. 

Acaba Mundo CLXVI

dezembro 7, 2018

Hoje são sete de dezembro de dois mil dezoito e o mundo não acabou. Três semanas para o fim do ano, no entanto. Dezesseis era pra ser o annus horribilis, mas aí o pessoal foi sacando que podia ainda piorar, e piorou, então é melhor não provocar dezenove e guardar o latim pra outra hora. Eu vou precisar comentar sobre o entrevero entre a Joice e um dos Bozokids, chamado por ela de infantil, que respondeu dizendo que ela é feia, chata e boba? Bem, já comentei. Afinal, não tenho visto muito da terrinha. Acaba de aparecer no rodapé do noticiário francês um assalto a banco no nordeste. Hoje eu joguei xadrez no clube de xadrez com Manu e seus “potes”. Íamos ao museu da Resistência, mas fechava cedo, e amanhã vão fechar com medo da prometida megamanifestação dos gilets-jaunes. Nós passaremos o dia aqui na campagne, aguardando visitantes que trarão um faz-me-rir de qualidade. E que os cabarés partout queimem à vontade. Acaba mundo!

Acaba Mundo CLXV

dezembro 6, 2018

Hoje são seis de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Deixei Paris para trás e não vi nenhum protesto dos gilets-jaunes de perto. Vi um carro virado em Massy, onde tomei o ônibus, mas me aproximando vi que era uma mesa de pingue-pongue. Aqui em Limoges meu anfitrião me mostrou um acampamento dos coletes amarelos. Ele, que é de esquerda, bota fé nos manifestantes para mudar o sistema. Eu fico com um pé atrás, mas o Diplo não se apressou a pintar o fenômeno como um prenúncio de uma onda de extrema direita como tanta gente escaldada teme no Brasil. Deixa a água rolar. A impressão que mais ficou de Paris são os patinetes elétricos. Há dezenas deles pelas ruas, alugados por aplicativo. Ajuda a compor um cenário de ficção científica, mas de uma forma positiva. Ainda não deu para conhecer muito de Limoges, mas por ora estou muito bem aqui na casa do Manu, um sobrado na zona rural, e por enquanto tenho escapado de tomar uma surra no xadrez.

Meu Desespero Meu Alívio 1

dezembro 5, 2018

O carro alcançou a estrada pelo acostamento, era um modelo popular, não muito novo, que entrou na pista, sem dar seta, no momento em que o baseado era aceso. A viagem até a fazenda onde ocorria o festival era curta, mas suficiente para os quatro passageiros começarem os trabalhos. Cláudio, que dirigia, era amigo de infância de Pablo, que ia atrás com sua namorada Renata, todos três frequentadores de festas de música eletrônica e apreciadores do MDMA, enquanto Cássio, que ocupava o banco do passageiro, era um colega do motorista numa firma de publicidade, que gostava de outros estilos de música e estava indo apenas para experimentar a substância.

__ Você vai ver, é a única música que você vai querer ouvir depois de tomar – era Cláudio, pondo a mão esquerda para trás para receber a bomba – e qualquer coisa tem o chill out, você descansa. Você vai ver, é muito louco.

__ Você já falou tanto disso. Sabe que não sou de droga química.

__ É só amor – Renata abriu um sorriso e foi acariciada por Pablo, que provocou:

__ Quando eu te conheci, você não estava chapado de ácido? – e todos riram.

__ A música é geométrica, prosseguiu Cláudio. Você se deixa ir, se permite sentir. No corpo. É um barato louco – e buzinava para um caminhão velho para que saísse da frente.

__ Galera, tem uma polícia aí na frente – foi a primeira intervenção de Cássio. Mas ninguém deu bola.

A estrada passava por motéis, borracharias e pequenas fábricas, e o sol da tarde banhava tudo de muita luz. Todos haviam almoçado perto da casa de Pablo, dirigiam fumando o digestivo, e o plano era ficar no festival até a manhã seguinte. Na bolsa de Renata havia um sortimento de ácido e ecstasy digno de especialistas, e provavelmente todos traziam maconha consigo. A trilha sonora no automóvel já era uma prévia do evento, e Cássio ia tentando se aclimatar, desligar os julgamentos.

__ Puta que pariu! Polícia! – era o motorista.

__ Eu avisei – era o passageiro.

__ Só fica calmo. Não vai dar nada – arriscou Pablo. Não dá pista.

Cláudio diminuiu a velocidade, contornou os cones e parecia disposto a parar ante o sinal do policial rodoviário, mas de repente mudou de ideia, ou estava já preparado para tentar um lance arriscado.

__ Se segura todo mundo!

E esteve perto de atropelar o agente ao acelerar feito louco. Cássio levou a mão à testa, Renata deu um uivo de excitação, ao qual Pablo secundou, e quando alguém pôde pensar já haviam passado pelo posto. No retrovisor se via o guarda entrando na viatura.

__ Eu sei o que estou fazendo! – disse Cláudio, alcançando o controle de volume para tornar o bate-estacas mais alto e onipresente.

Após uma curva para a esquerda, Cláudio jogou o veículo numa vala lateral, que a transpôs como se fosse um jipe fora-de-estrada. Ele sabia que a cerca era um bambuzal novo, que cedeu ao carro em marcha baixa, e ergueu-se novamente, de modo que quando estavam já na via interna da fazenda de cana, após toda a turbulência, seria impossível do lado de fora perceber por onde eles entraram. Cássio se perguntava em que espécie de fria havia entrado, mas todos os outros estavam exultantes, esmurrando o teto do veículo e soltando gritos, animados. Na terceira rua Cláudio virou à esquerda com uma velocidade absurda, e duas rodas deixaram o chão de terra vermelha. Algumas risadas após estavam já no estacionamento do festival. Cláudio precisou tranquilizar Cássio, enquanto Pablo e Renata só interrompiam as risadas para se beijar, enquanto se afastavam do carro em direção à primeira tenda, em que se cobravam os ingressos, e todos estariam a salvo no meio da multidão.

__ Eu disse que tinha polícia.

__ A gente sabe que tem polícia, mas eles nunca ficam na pista. Fica tranquilo. Se entrega, mano!

E Cássio tentava mesmo entregar suas cadeiras ao ritmo que vinha da tenda principal, decidindo que o melhor a fazer era mesmo baixar as defesas. Como o baseado, pela metade, havia ficado com ele, pôs-lhe fogo e olhou em volta, fitando as várias gatinhas que chegavam ao evento, inclusive em grupos, as quais não repararam nele nem um pouco. 

__ Isso, irmãozinho, fuma essa bomba que já está na hora de lamber seu papel.

Nisso Renata sacou o arsenal da bolsa, e enquanto os veteranos puseram na boca tanto o ácido quanto o MDMA, “pelo equilíbrio,” explicavam, o novato colocou sob a língua o papelete da substância nova para ele, que quase gostaria de estar em casa já, tomando um vinho velho conhecido e perdendo tempo no computador uma vez mais.

__ Bem, o carro é seu, o problema é seu. Só quero ver a volta.

Desta vez foi Pablo que se adiantou e repreendeu o viajante adventício.

__ Meu, relaxa, você veio curtir o amor, se entrega, a noite vai ser longa e ninguém veio aqui pra curtir a bad trip dos outros.

Nesse momento, Cássio se perguntava se, solteiro, conseguiria algum amor de um papel embebido numa determinada substância. E se, sendo um estorvo para os companheiros, como já estava claro que era, teria sido mesmo uma boa ideia experimentar aquela droga. Mas tinha sido ideia dele, e o melhor era abrir um sorriso, e talvez soltar um gritinho enquanto esperava a fila andar e o efeito se fazer sentir.

Acaba Mundo CLXIV

dezembro 5, 2018

Hoje são cinco de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Fui ao Louvre, mas refuguei. Estava cansado, mesmo dormindo até o corpo resolver acordar todos esses dias, e sabia que aquilo demandaria uma energia imensa. Também tinha parado pra almoçar e fui muito mal servido, o que estragou meu humor. Besteira, hoje tive a notícia de que fui aprovado na seleção do doutorado tanto na Unesp quanto na Unicamp. Viva! Etapa cumprida. Estou viajando após todo o trampo de traduzir meu poema (já é meu, roubei do Shakespeare) e passar por toda a parte chata necessária para voltar à Cadimia e ter uma chance de levarem meu trabalho a sério. Só que agora minha cabeça já quer partir para outra tradução, de Bartholomew Fair, fantástica peça de Ben Jonson que não tem texto em português, e seria meu projeto se eu me resolvesse a cruzar mesmo o Atlântico. Passar mais quatro anos debruçado sobre Lucrécia eu temo mesmo que possa ser uma tortura. Pode soar a arrogância, mas eu não quero comentar minhas traduções, quero fazê-las, e se alguém quiser tomar um café ou chope debatendo esta ou aquela escolha (sempre que paguem), eu teria prazer em contar tudo. Mas é assim que funciona a grande máquina de linguiça acadêmica, onde é preciso explicar a piada. Bem, agora é tomar um vinho para celebrar. Mesmo que eu faça isso todas as noites, esse vai ser especial. Estou preocupado porque preciso acordar cedo e pegar o ônibus até Limoges, onde encontrarei meu amigo de internet Manu, que costuma ler a Leosfera mais do que qualquer amigo “real”, e joga xadrez feito um feladaputa. O efeito dessa ansiedade geralmente é dormir mal. Acho que nada de monta tem ocorrido na política tupiniquim, e na verdade já estou gostando mais do Acaba Mundo como um relato de viagem do que como registro dos tempos insanos. 

Acaba Mundo CLXIII

dezembro 4, 2018

Hoje são quatro de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. O melhor de Paris tem sido o quarto com sacadinha para fumar. Por falar em fumar hoje roubaram meu tabaco que deixei na mesa de fora do café enquanto ia ao banheiro. Lição assimilada. Ontem comprei mais uma vez um hash marroquino, da mão dos marroquinos, e parece ser o mesmo do Porto. Eu me lembro quando estudava francês com o Mohamed, que garantia ser possível despachar hash pelo correio disfarçado com cola de sapateiro e borra de café. Aí ele visitou o Marrocos e disse que já não é tão simples. Não se amarra cachorro com linguiça mais. Outra coisa boa aqui é o chocolate noventa por cento. No Brasil mesmo o oitenta e cinco aparentemente foi um fracasso e quase não se encontra. Segue sendo foda comprar famoso chocolate francês ou belga quando não há um pé de cacau nesses países, e os trabalhadores na África ocidental às vezes nem conhecem chocolate, mas meu boicote não ia resolver nada. Visitei hoje os jardins de Luxemburgo e as catacumbas de Paris, que só me fez pensar que cemitérios são uma grande bobagem, e não são só os ossos de gente pobre que deviam ir parar amontoados daquele jeito. De resto, tomei uma decisão importante: quando estiver em Amsterdam vou experimentar cogumelos amanita. Há quanto tempo não tenho uma experiência nova na vida? É claro que conto depois, mas ainda falta muito. Pode ser a última chance antes do fim do mundo.