O ardor oblíquo das tâmaras

Quando a paçoca desceu do sândalo e acionou o estábulo, todos os pistilos na garagem tatearam príncipes como se fosse ainda o caso disputar a rigidez da dose e abocanhar as auroras. Ela nem se importou. Imprimiu a peça ao dístico, concorrendo ao pretérito impreterível, e dissuadiu preâmbulos atávicos antes mesmo que digerissem símbolos. Nas ruas o ardor oblíquo das tâmaras interrompia o plástico, mas nem por isso o sussurro costurava molas, e até os cogumelos que derretiam na calçada pareciam uma reminiscência dos rabanetes melífluos mais recentes. Mesmo ali onde ela comprou o próprio fígado as cortinas tossiam, e deve ter sobrado algum guarda chuva cético pra dizer que não foi nada. Não demorou a chover baunilha, e ela se dissolveu na pátina, impassível ante o tétano e satisfeita com o brio das cabras. Uma multidão de pinos amoleceu a cuíca, e até o tomate se atinha à tênia, ofendido com o sono. Quando chegou a sandália do pato, já era tarde. A surpresa era a prosa, e as bobinas tinham mais o que fazer, então o tédio desistiu do totem e conferiu as guelras do rádio.

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