Crônica

Quando eu fui aos Estados Unidos ainda adolescente, um sujeito me abordou no ponto de ônibus perguntando se eu fumava crônica. Erva, ele explicou. Eu estava traumatizado de ter sido enganado dias antes comprando na rua, então recusei, mas meu palpite é que era à vera, apenas outra estratégia de marketing do que estamos acostumados. Se bem que em Lisboa o sujeito que ofereceu era golpista, e a namorada insistiu em que eu levasse a sério o cara e perdesse dinheiro. Bem, o que eu sei é que a crônica tem se revelado mesmo crônica, tanto que eu quis até escrever uma crônica a respeito.

Hoje eu tenho um esquema bom, mas já passei muito aperto, sofri sem, fui em todo tipo de biqueira, comprei de criança, comprei – e fumei – maconha podre. Mas já tive uma experiência positiva de plantar e colher, é poderoso. Eu conheço gente que parou de fumar, mas pra mim ela é crônica, ou sou eu que faço questão validar o epíteto. Eu acredito na parada, eu até me envolvi em ativismo, mas ativismo com maconheiro é foda. País conservador da porra. E a maior vítima da proibição não sou eu, é o negro periférico nessa guerra estúpida. Eu tenho um contato que traz em casa, já disse. Não sei se estou bem certo em chamar isto de crônica, a crônica, eu digo, mas a crônica certamente se provou crônica.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s