Autorama 16

De palito e de massa, meu patrão. Lá vem o patrão de novo. E de que tem o de massa? Limão, uva, morango, milho, amendoim… Me dá um de milho, quanto é? Três reais. Toma, fica com cinco. Deus abençoe, meu filho. Esse eu passo. Em Vitória teve o tempo que eu toquei com o Bruno Camarão, era uma tosquice braba, e uma vez nos puseram num trio elétrico com bateria eletrônica, eu fiquei tão nervoso que contei três em vez de quatro e quebrei a perna de todo mundo. Com o outro cara que eu não lembro o nome eu tive uma discussão porque ele queria o tupatupatupá do hardcore e eu dizia que a batida não existia porque não me ensinaram. Teve dessas bandas que nunca saíram do gogó, como a com os playboys da escola que acabou naquele porre da tal lavagem do triângulo, e teve o Alexandre, que eu achei que sendo irmão do Marcelo Sepultura devia cantar bem, também. Nós dois viramos mais parceiros de aventuras como subir a Pedra dos Dois Olhos, e fumar o que na época parecia muita maconha. Naquele tempo só tinha camarão do nordeste, um punhado embrulhado em página de Veja era chamado de dola. Cá estamos. Cinco e dez. Eu me sinto numa colônia em Marte dentro de um shopping, hoje, a temperatura é artificial, a luz, as plantas, os cheiros. Amigo,onde fica o Detran? Por aqui, sobe na escada rolante, segue em frente, sobe de novo e pega à esquerda, você vai ver os elevadores. Valeu mesmo. Que complicação, eles fazem você andar pra olhar vitrine. Em Campinas com o povo da elétrica a gente também formava um monte de banda de goela. Ficava inventando nomes enquanto fumava no CB00, eu queria que fosse No Police, em alusão ao fato de não ter polícia no campus e porque o Campeão queria tocar The Police e eu não gostava. E tinha o Turista nessa época, um cara meio babaca, mais adiante eu fui chamado pra tocar com ele e o amigo dele da música, na disciplina prática de estúdio, o professor não punha uma fé, o Capa Grilo não gravou um take aproveitável de bongô, eu nunca tinha passado pela experiência de tocar uma música só com um clique, foi um desastre. O que acabou vingando foi tocar com o Maciel da computação, o popstar, e o Daniel Andrada, que pouco depois voltou pra São Paulo, nas guitarras, com o Campeão tocando um baixo muito discreto. A primeira apresentação foi no gramado da Mecânica-Alimentos, o Campeão tinha um compensado no Buraco, eu levei o tapete e montei a batera. Que sensação boa aquela. Era Sunshine of Your Love, que mais? Eu dei o nome de Filthy Fellas, mania de inglês, hoje eu acho meio boboca, enquanto eu fui roqueiro me afastei da cultura brasileira. Depois a gente tocou na Bioart, foi a de nove nove, o repertório era o Maciel puxando pro blues e o Daniel pro hard rock, e no fim eu declamei uns versos adolescentes sobre baseado. A gente fez umas festas de CA, como na mecância, onde rolou Man in the Box, e na Bioart do ano seguinte o Maciel veio dizer que não precisava gravar fita, e nisso a gente ficou de fora. Então houve uma desistência e chamaram a gente, mas não rolou reunir mais, e lá fui eu tocar blues sem ensaio pra fazer palco pro Maciel. Depois disso se conformou o Bluesmoke, que tocou blues sem ensaio mais um bom tempo, com o Xavier e o Joe na gaita, casas noturnas e tal, uma época a gente ia até Vinhedo tocar, voltava de madrugada. Acho que dá pra ir ao banheiro antes. Mais adiante eu já tinha um gosto mais sofisticado, e formei um trio com o Paulinho do IFCH e o Sossego da Música, a gente improvisa um jazz fusion bem interessante. Teve a festa do rugby na casa do Trujas perto da reitoria. Na verdade os vizinhos de trás eram o Grotto, e o muro estava cheio de humidade, a gente planejou muito tempo de fazer uma festa dupla e derrubar o muro, mas nunca aconteceu. Mas a do rugby aconteceu. Eu aluguei o equipamento, então exerci uma relativa tirania na discotecagem, até que o público se amotinasse pra tocar Barão Vermelho, saco, essa gente só quer ouvir sucessos pop. Mas nosso trio mandou muito bem, estava fluindo. O Feijão se juntou à gente no teclado e nós tocamos na Bioart de zero dois, e foi meu ápice na música. Jeep on 35 do Scofield, Red Baron do Cobham, Chameleon do Hancock, Take 5 do Brubeck (ou Desmond, antes). Bons tempos. No dia mesmo eu tinha chamado uns caras do IA para dividir o palco, um bando de babaca, e algumas músicas ficaram de fora, no fim eu declamei Canção a Shiva. Senhor, renovação de habilitação. Aquela fila. Obrigado.

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