Acaba Mundo CCCLXX

Hoje são dezesseis de outubro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Ou a tática de intrigas internas foi levada a um novo patamar ou o governo derrete mesmo, e o partido briga com o governo até no congresso. Supremo marca votação para decidir se a constituição é constitucional no que se refere à prisão antecipada, o que vira obviamente o julgamento que pode soltar o Lula. Já propuseram até um projeto para que apenado não possa aparecer em campanha. É um golpe lento, que nunca termina, e o que vejo me parece mais uma reacomodação do que uma superação: cada efeito segue onde está. Que se solte o preso político, se é que soltam, mas retomar alguma normalidade demora. Ontem eu fui à assembleia da Unicamp; foi muito bonito, e pode ser um marco para incrementar os protestos, mas eu sigo me sentindo impotente. Querem fundir Capes e Cnpq, e isso é uma ameaça à pesquisa, inclusive a minha. Ciro fez o que faz melhor, se isolar, descendo o pau em todo mundo com sua arrogância há muito conhecida. E as briguinhas vão prosseguir na internet. Deltan foi exposto como garoto de recados do DoJ, caçando empresas para serem extorquidas; a outra Vaza Rato, sobre a denúncia do sítio sendo usada como arma de RP, é banal. Auditores da Receita denunciam desmantelamento do combate a crimes financeiros; é o estado mafioso, mais ou menos como a Rússia, mas sem as armas hipersônicas. Polícia carioca não poupa esforços para não elucidar crime da Marielle e “perde” imagens (salvaram num pen drive da Kingston, talvez); enfim, que importam também imagens dos executores, que estão presos? São os mandantes que estão sendo claramente protegidos. Praias do nordeste continuam recebendo borra de petróleo e o MPF já acionou o governo por inação; após identificarem barris da Shell, a mídia, que queria culpar Maduro de todo jeito, parou de comentar. Até em naufrágio da segunda guerra já falaram, mas o mais provável é um acidente em transferência em alto mar, talvez de navio “pirata”, ainda que a abertura do país para lixo do primeiro mundo pelas mãos dos milicianos não deva ser esquecida. No Equador, o presidente retirou o paquetazo e o povo parece satisfeito; os indígenas anunciaram um partido. A extrema direita perdeu em Budapeste, enfraquecendo Orbán; na Polônia, perderam o senado. No Japão, dezenas de vidas foram perdidas para o tufão Hagibis, mas nos dias que o precederam uma linda formação rósea tomou os céus. Acaba mundo.

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