Acaba Mundo CCCXLVII

Hoje são sete de setembro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Cento e noventa e sete anos atrás, o príncipe regente, em meio a uma tremenda caganeira, teria bradado o famoso brado “independência ou morte”, mesmo que absolutamente ninguém se lhe opusesse, e se tornou imperador de uma nação soberana, título tão dúbio que dele abdicou para ser rei na metrópole, deixando o “império” na sua fase mais turbulenta, até que seu filho fosse coroado e reinasse, tendo como metrópole agora a Inglaterra e suas casas bancárias, que se trasladaram além mar, onde está nossa metrópole hoje, poucas tendo sido as tentativas, sempre respondidas com o proverbial grande porrete, de estabelecer uma nação independente e soberana. Bozo cancloma às cores dos Orleans e Bragança, dos Haubsburgos, e a oposição usa preto e promove o grito dos excluídos. Na parada em BSB, presimento surge sem primeira dama e ladeado de Edir Macedo e Senor Abravanel; bom para lembrar que é nas mãos do imperialismo anglo-sionista que estamos, irmanados aos EUA no fanatismo apocalíptico obscurantista. Foi uma declaração de guerra à Globo, também, escanteada como instrumento do mesmo imperialismo. Desembargador derruba liminar que impedia censura de Crivella, e a Folha pôs a imagem na capa. Dória está sendo questionado pelo MP por recolher cartilha que continha, dentre vários outros conteúdos, orientação sexual, e custaram dinheiro publico, afinal. Ontem houve um ataque incendiário à homenagem a Felipe Santa Cruz na UFF em Niterói. Também ontem, houve uma festa da facada em Juiz de Fora, e Moro fez uma visita “técnica”, no entanto fora de agenda, à PF de Curitiba, onde Lula está sequestrado, usemos nossas imaginações. Em Porto Alegre, a Câmara censurou exposição de charges “Independência sob Risco. E saíram os vetos ao pacote do abuso de autoridade, sobre o qual devo confessar um conhecimento bem precário (assim como preciso saber mais do novo PGR para comentar), mas “the gross and scope of my opinion”, para citar de novo Hamlet, é que o projeto é bem intencionado, debates doutrinários à parte, e busca desincentivar comportamentos que nos trouxeram até aqui, parecendo ainda antever um endurecimento do porvir, tal um Janus. A questão é que o sistema que deve aplicar a lei do abuso é o mesmo que está abusando das leis, e pode muito bem abusar da lei de abuso, aplicando-a contra inimigos ou apenas seguindo com seus abusos de sempre com o beneplácito das cortes superiores. Legislação tem um limite; os abusos da polícia no Rio sempre foram proibidos, mas são tolerados por quase toda a população que não é vítima. De qualquer forma, fica a impressão de que, ao vetar artigos que sancionam abusos, Bozo e Sarraceno legislam os legalizando, estabelecendo um verdadeiro LavaRato para Todos, ou pior. Os vetos dividiram o capetão entre desagradar a base, que vê a lei como ruim para o “combate à corrupção”, mesma posição dos magistrados, e desagradar ao congresso, que fez o trabalhinho. Eles serão analisados bicameralmente ainda, e incluem itens que puniam: prisão ilegal, tortura, procedimentos sem ordem legal, divulgar imagens para execração pública, constrangimento de sigilo, negar o direito a manter o silêncio, negar identificação durante prisão, uso desnecessário de algemas, negar acesso a advogado, extrapolar mandado (mandados coletivos em favelas), impedir direito de associação, aplicar armadilha para forjar flagrante, impedir acesso aos autos, e por aí vai. Roger Waters critica Bozo em Veneza, e a Casa do Brasil em Bruxelas é pixada: Bolsonaro Ecocida. Em Hong Kong, os protestos prosseguem mesmo com a retirada da lei de extradição; os EUA se aproveitam de um sentimento autonomista, e do interesse da elite local, para atingir Pequim, que tem um grande abacaxi nas mãos e já mencionou até o tabu da praça Tiananmen em comunicado, para garantir que não será nada igual, mas moveu tropas; segue o stand-off. Furacão Dorian já matou ao menos quarenta nas Bahamas, e vai passar pela Flórida, mas não pelo Alabama, como (sei lá por que) Trump queria fazer crer, e para isso usou um marcador para tentar falsificar o mapa. Seu governo deslocou verbas de enfrentamento a furacões para sua SS, a ICE. E seus campos de concentração seguem funcionando. E o Lula segue preso. Acaba mundo.

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