Acaba Mundo CCCV

Hoje são vinte e sete de julho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Garimpeiros no AP invadiram a terra dos Waiãpi e mataram dois caciques. Os índios buscaram refúgio na aldeia vizinha, e a Funai (nas mãos de um cana) fez que não é com ela. Bozonazi fala em “cana” para Glenn e o chama de “malandro” por se casar e adotar filhos no Brasil. Premido pelo uso particular de helicóptero no casório do fritador de hambúrguer (que cheguei a declarar descartado e hoje está escalado para ajudar o “primeiro mundo” a saquear a Amazônia), a criatura chama repórter de idiota e faz pouco da reação: “devia mandar ir de carro?”. É uma metralhadora de falas desprezíveis e criminosas, já foi preconceituoso com nordestinos duas vezes, já disse que aceita quem quiser na sua casa, e “o Brasil é minha casa”, e ainda que meio ambiente é preocupação de “veganos que comem vegetais”. Enquanto isso a Rede Goebbels tem acesso ao depoimento do hacker de Araraquara, é o vazamento do bem. Eu vou evitar comentar isso a cada passo, uma vez que, além de estar tudo muito esquisito, pintar o Sarraceno como vítima ante a “opinião pública” é bem o que eles querem; mas vou anotar que a Manuela disse ter recebido do Telegram um aviso de invasão (achava que era inviolável) da Virgínia, que é onde fica a CIA. Cada vez faz mais sentido a dominância de pleno espectro aventada pelo Pepe. O golpe está bem sólido onde está então dão munição para sua contestação, num nível apenas personalista e superficial. Pra mim é só espetáculo agora, eu me lembro de quando saíram as primeiras matérias, o entusiasmo que me deu, tolo que sou, de que a verdade teria algum impacto; se tivesse, eles teriam se esforçado para cometer uma fraude menos grosseira. Enfim, cresce aparentemente a rejeição à figura do Bozonazi, ele foi esculachado no estádio e até o Casão reclamou do atraso que ele provocou, mas daí a uma compreensão clara dos processos e contextos é pedir demais da massa. Eu me sinto impotente, e até culpado por aceitar tal enormidade e prosseguir minha vida. Se bem que até esse “prosseguir” padece de um desânimo tremendo, já que mesmo sem fascismo o interesse pela literatura está perto de morto e as universidades, especialmente coisas inúteis como o que faço, estão com a corda no pescoço. Estou pensando em conhecer Cabo Verde e me instalar por lá, quem sabe. Acaba mundo.

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