Acaba Mundo CCCII

Hoje são dezoito de julho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Hoje é o Dia do Mandela. Madiba lia Shakespeare em Robben Island; eu enviei meu Hamlet ao Lula, não sei se chega a ele. Folha e Intercept mostram trechos em que Moro delibera ilegalmente sobre as caguetagens premiadas (ele determina pena antes sequer da acusação!), arrancando indignação até do Santos Lima, a quem Tanga Frouxa convence a não peitar o capo. É munição para juristas, mas toda revelação menos grave que as primeiras esfria o caso. Toeffee lança defesa de sua decisão que salienta “outros casos” e cita “estado fascista e policialesco”, e na internet parte dos minions o acusam de atrapalhar a Lava Rato (que sempre recebeu as investigações prontas do DoJ), e outra parte de fazer a coisa certa e frear o Sarraceno; a esquerda perde tempo denunciando a interrupção de um inquérito há muito interrompido. O crux da questão (e de fato ainda preciso ver os especialistas se posicionando) é o direito do Coaf, e de outras instituições, de compartilhar informações detalhadas sem aval do judiciário (afinal, existe uma coisa chamada sigilo bancário); eu aposto que abusos venham sendo mesmo cometidos (talvez contra Bozokid), e também que os ministros estão ávidos por oportunidades de se mostrarem legalistas (vide Fachin e sua oratória no TRE-PR) para suavizarem os danos à biografia. Talvez por isso Dodge tenha delegado a um subprocurador-geral soltar um “surpreendente” parecer pelo encarceramento eterno do preso político, repetindo a mesma cantilena contraditória do ex-juiz e endossando as mais gritantes ilegalidades institucionais da moribunda nova república no processo. Anunciadas manifestações a favor de imposto sobre movimentação bancária, devem ser urdidas pela mesma “máquina misteriosa” que organiza coreografias com pintura facial pelo golpe ou pelo bozonazismo. Já o trumpismo engata a segunda no fascismo, imagens fortes circularam de um comício eleitoral inteiro dizendo de Ilhan Omar “manda ela de volta” (ela é somali-americana). Omar teve a rara coragem de criticar o lobby israelense, a poderosa AIPAC, e foi massacrada com acusações de antissemitismo. Mas o Brasil não faz por menos, e fazendeiro em valinhos usa uma caminhonete para atacar protesto do acampamento Marielle Vive do MST; um senhor morreu. Acaba mundo.

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