Acaba Mundo CCXCVI

Hoje são doze de julho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. A VazaRato “subiu”, como eles mesmos dizem, para a segunda instância, e pegou Gebran tendo “encontros fortuitos” com Tanga Frouxa, o qual se mostra preocupado após o desembargador neofascista declarar que determinada acusação era fraca, pedindo para apressar a caguetagem premiada do réu, que pouco vem ao caso. Mudar a correlação de forças isso não vai, o escândalo virou paisagem, simplesmente porque revela aquilo que já se sabia e segue rejeitado ou apoiado pelos mesmos de antes, só que um lado tem todas as instituições de “controle”. Enquanto o embaixador inglês que foi exposto adjetivando Trump como ele merece é sacado para dar lugar a outro diplomata escolhido a dedo pelo tiranete alaranjado, Bozo anuncia o Bozokid E na embaixada bruzundanga na sede do império decadente, afinal o rapaz fala inglês (mal), fez intercâmbio e “fritou hambúrguer” com orgulho. Já se fala até que a reciprocidade (que não vale para vistos) irá a ponto de recebermos Eric Trump no posto que já foi de Thomas Shannon, que afirmou agora que desagradava à águia a soberania na Sudamerica e particularmente o papel da Odebrecht, a qual hoje está condenada a reportar aos godemes. Pode-se dizer hoje que Brasil, EUA e Israel formam o eixo do fascismo apocalíptico racista. Trump tem campos de concentração e já anuncia mais uma caçada (a chicanos e familiares!), e Bibi recorre a falsa ciência eugênica. Por aqui, nem com escândalo a inquisição espanhola (a gente já espera a inquisição espanhola) se detém: filho do reitor Cancelier, inocentado após ser levado ao suicídio, é denunciado por uma soma de sete mil reais. O que move essa gente? No Complexo do Alemão, o estado abandonou uma estrutura que os moradores se organizaram para utilizar; estão prestes a serem despejados com brutalidade. Outro segredo de polichinelo: LavaRato grampeava seus presos ilegalmente, agora tem laudo (e a revelação cheira a guerra interna na PF). Outra barragem se rompe, na Bahia; povoados foram evacuados mas parece que não há mortes. Já em Minas, funcionário fornece provas da negligência criminosa da Vale, que acionou a mamãe justiça para evitar depoimentos de seus quadros. A tradição do jabuti, ou seja, conteúdo alienígena enxertado em projeto de lei, ficou tão corriqueira que foi proibida, faz bem pouco tempo. Mas qual! O bozonazismo usou um projeto propagandístico sobre uma tal “liberdade empresarial” para enfiar mais uma erosão dos direitos trabalhistas, que eles vandem como “contratação anticrise”, e segue a marcha da sociedade cyber-escravocrata. Que já existe. Thiago Dias, 33, morreu de estafa por trabalhar diariamente mais de doze horas fazendo entregas; após sofrer um AVC, não teve ajuda nem da empresa “parceira”, nem de polícia, bombeiros ou ambulância, tampouco outro escravo de aplicativo aceitou transportá-lo sujo, até que amigos o levaram ao hospital, onde o trabalhador teria eventualmente a morte encefálica anunciada. Acaba mundo.

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