Acaba Mundo CCXCV

Hoje são onze de julho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. A câmara viu ontem o Nhonho virar primeiro ministro e abusar de seu poder na mesma hora, na votação do texto base do desmonte da previdência: ele encerrou a votação do destaque dos professores para evitar uma derrota. A previdência vai deixar de ser um direito constitucional e ninguém esconde que a capitalização, estrategicamente retirada, volta à baila em breve. Oitenta por cento da “economia” sai de quem ganha até dois mínimos, milicos, canas e alto funcionalismo poupados. Então nós temos os que não precisam de aposentadoria, todos brancos, os que podem pagar um plano privado, a maior parte brancos, e aqueles que na prática não terão acesso algum, a maior parte negros. Será que é o supremacismo do Bannon? Porque o país segue com estrutura tributária regressiva, tolerando a sonegação e concedendo isenções, e empregando metade do orçamento para remunerar títulos. Até o efeito benéfico sobre a economia a imprensa “especializada” já discretamente admite que é uma balela, o que devia ser óbvio porque se tira dinheiro de circulação. Bozo volta a ameaçar universidades e a chamar limites a seu poder de “aparelhamento da legislação”. Glenn, Gleen, ou Green esteve no senado, numa CCJ vazia, e apenas um bozomorista ousou confrontá-lo, timidamente, com questões vazias. Em SP, as lideranças sem teto, incluindo Preta Ferreira, que apresenta o Boletim Lula Livre, seguem presas sem acusação. No PA, a grilagem é legalizada e área maior que o PR tá na pista pra negócio. Anunciadas cento e oito escolas militares em todo o país. Milico assume Anvisa e defende canabidiol e repressão ao mesmo tempo; é como disse o Homer Simpson: “este maravilhoso remédio… que você nunca deve provar, pois vai arruinar sua vida”. Moradores da pacata e bucólica Paraty ameaçam participação de Glenn em evento anexo à Flip, quer dizer, ameaçam a ele mesmo, temendo que lá se instale a “sede do comunismo”. Nem quando existia União Soviética existia essa macarthismo caricato. O pior que nem dá pra rir, porque esse tipo de mentalidade ainda leva à Ruandização desta terra ensolarada, só que em vez de facão vai ser a fuzil. Brasil se abstém sobre execuções extrajudiciais na ONU, num sinal bem claro. Eu quero, sobrevivendo minha bolsa, terminar meu doutorado e me fixar fora, tenho todo esse tempo pra planejar. Isso se o mundo não acabar, é claro.

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