Acaba Mundo CCXCIII

Hoje são nove de julho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Os paulistas celebram a tentativa de contragolpe. O rolo compressor do desmonte da previdência mobiliza um bilhão em emendas (fala-se até em dois e meio), e o projeto carrega um jabuti esdrúxulo: derruba a lei da bengala e volta a aposentadoria compulsória aos setenta, de modo a abrir seis vagas no supremo para Bozo (ou Mourão) nomear. Tem também o agrado aos ruralistas da ordem de oitenta e oito bi; outros que foram agraciados com legislação são os fanáticos religiosos (ou lavadores de grana), dispensados de registro e de informar movimentação financeira até um teto quadruplicado. Um manifesto em defesa da ciência é lançado e o bobo alegre do Astronauta faz um joinha como se não fosse com ele. Verba do Cnpq só dura até setembro. Já circula que depois da previdência é a privatização das universidades o novo objetivo. Um terço da população, os de sempre, acha de boa fechar congresso e supremo. Completa-se um mês de VazaRato, e fora umas personalidades públicas mudando o discurso, o efeito foi bem menor do que se esperaria em condições normais de temperatura e pressão. Moro pode ser sacrificado, mas o que reverte a mudança de regime? E o dano econômico? A única esperança, e dúbia, é a soltura do Lula. Nos EUA, a aprovação do Agente Laranja é recorde, vai explicar. Um grande escândalo atinge um amigo seu, Jeffrey Epstein, abusador e traficante de menores, que fora já processado e acobertado por Acosta, secretário de Trump (que tem uma declaração normalizando os atos de Epstein); já o secretário de justiça Barr se declarou impedido com um pretexto frágil. O governo americano deteve a equipe de voleibol do Irã, e submete Cuba a crescente estrangulamento. Salvini foi visto desinaugurando um centro de acolhimento de migrantes. E por aqui canas matam em sessão de cinema e baleiam carro parecido com o seu que fora roubado. Os registros de “caçador e colecionador” decuplicaram em cinco anos. Difícil imaginar este país em mais cinco. Certamente a cerveja será pior, já que a produção foi toda desregulamentada: teor de milho ilimitado, substituição do lúpulo, uso de corantes, álcool e até sabão. Acaba mundo.

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