Acaba Mundo CCLXXXV

Hoje é primeiro de julho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Na Terra dos Livres, prisioneiros (mormente negros) são escravizados na agricultura, e um grupo de judeus protesta contra os campos de concentração para migrantes: nunca de novo. Aqui, o exército homenageia o nazista Otto Maximilian, um dos muitos que encontraram na América do Sul seu refúgio. No Sudão, que perdeu a maior parte do petróleo na secessão, daí a instabilidade, a população pediu às forças armadas a deposição do ditador de plantão, e agora as forças armadas reprimem as manifestações da população, que não se deu por satisfeita, e já há dez mortes registradas. Na Colômbia, um bispo mandou aspergir água benta de helicóptero sobre Buenaventura, e assim vai o mundo de estupidez high tech do século vinte e um. Na Líbia, outro caso de “rebeldes” encontrados com armamento pesado exclusivo dos godemes, num pais dividido após a intervenção deles mesmos e da França que derrubou Kaddafi, que apesar de ditador era ao menos nacionalista. Ontem a manifestação dos fascistas foi menor do que a última, mas mais desavergonhadas no pedido de fechamento. Aparentemente a terceira idade dominava a cena. Helenão, o carniceiro de Cité Soleil, bateu ponto na esplanada. Num episódio, uma manifestante foi hostilizada como petista pelos cabelos vermelhos, noutro o Mebelê, ponta de lança da mudança de regime e financiados pelos magnatas do petróleo Irmãos Koch, foram considerados moderados demais (discordam de fechar congresso e supremo) e agredidos pelos fascistas raiz do Endireita. Um vídeo do Bozo mostra ele falando “abafa ou não abafa” sobre a fraude das candidaturas femininas, mas para mim é o Sarraceno perguntando a ele, enquanto todo mundo comenta o inverso. Mas isso é minudência e pouco importa, só revela a inépcia de alguém que não entende o que é “off”. Depois de trinta e nove no avião residencial, agora foram oitocentos quilos achados em carros que saíram daqui. O Brasil não produz e consome pouquíssima cocaína, somos rota; e nisso o Helenão tá certo: tem muita droga no mundo, e a proibição só pode interessar aos que controlam as rotas com imunidade. Acaba mundo.

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