Acaba Mundo CCLXXXII

Hoje são vinte e oito de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Vi um vídeo em que o motorista de uma camionete entra de marcha ré na calçada tentando assassinar uma pessoa dormindo. Mal dá vontade de comentar nada, mas sigamos. A Organização dos Estados Americanos para os Americanos escancara o viés e reconhece a equipe de Guaidó, levando Uruguai, México, Bolívia e Nicarágua a abandonar negociações sobre a Venezuela. Em Osaka, o mundo desenvolvido ao qual Bruzundanga aspira (bajulando Trump pela vaga na OCDE) levou a sério o Helenão e procurou sua turma. Bozo anuncia a bijuteria de nióbio como salvação da lavoura e cancela encontro com Macron que a França disse que nunca foi marcado; o playboy do Élysée deu vinte minutos de trela pra ele, que aproveitou para convidá-lo à Amazônia (que seu sinistro do meio ambiente não conhecia), provavelmente num tom de desafio que o intérprete deve ter tentado amenizar. Saiu o abraço de afogados entre UE e Mercosul, e o presimento que cuspia no bloco regional agora se pavoneia como se o acordo não dependesse, durante os vinte anos de negociação, basicamente da Angela Merkel (que está com um problema neurológico e tem tremores). Por aqui, o arquivamento do processo contra o Tanga Frouxa no CNMP também foi a jato. Veja revela, com Intercept, a testemunha coagida por Sarraceno e Tanga Frouxa: um passador de boatos em Mato Grosso do Sul. O Instituto Chico Mendes está sendo tomado de canas. O projeto contra abuso de autoridade que proíbe o proibido, e está prestes a ser aprovado, calhou de ser a iniciativa da lava rato chamada dez medidas (ligeiramente fascistas) contra a corrupção, virada do avesso contra os criadores durante a tramitação. O Brasil precisa ser estudado. Sobre a brizola presidencial, agora o bozonazismo tenta relativizar alegando que o sargento-mula atua desde tempos de PT, mas ele passou a integrar a comitiva pelo tempo do golpe. Acompanhou Dilma em maio de dezesseis a Juazeiro do Norte, e só. Mesmo a imprensa “séria” entrou nessa, e foi citada fora. O nível dos argumentos é “o PT permitia, nós somos implacáveis”. É de dar nó na cabeça do George Orwell. E no fim, que importa o cara? Fulanizam a questão de um lado e do outro, pois a turminha de esquerda exibe a foto dele fazendo arminha e campanha pro Bozo e já espalha feiquinius para colar o figura no mandotário. Ora, havia pó, muito pó, na comitiva da República Federativa Brasileira, o sargento foi escolhido para passar pela aduana. A aeronáutica determinou sigilo, mas a polícia espanhola pó deixá que eles não vão censurar. Pior é o Helenão naturalizando: “há muita droga no mundo”. No Alabama, mulher (negra) grávida foi baleada e perdeu seu feto, e agora foi presa por assassinato porque “escolheu entrar numa briga”, enquanto a atiradora nem foi presa. Acaba mundo.

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