Acaba Mundo CCLXXXI

Hoje são vinte e sete de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Bozonazi está no Japão, e a única coisa que fez hoje foi lançar bravatas para mascarar sua fragilidade: desafiou Merkel (“temos muito a ensinar”) e garante que não foi até lá para ser repreendido “como costumava acontecer”, “nova era e tal”. Eles vão precisar esgarçar a narrativa ao máximo. A imprensa local reinventa o eufemismo, enquanto fora até as publicações mais sisudas se riem às escâncaras. Depois da chanceler alemã, foi Macron que passou uma carraspana no Brasil, mas ao contrário dela, a ideia dele é bloquear o acordo UE-Mercosul (um tremendo abraço de afogados). Sarraceno se apressou em garantir que o sargento teve a pachorra de enganar todo mundo sozinho, que se trata duma “minoria ínfima” (quando tráfico de drogas é o segundo crime mais julgado pela justiça militar). Já Mourão falou abertamente que ele seria “mula qualificada” dum esquema maior. Helenão, ministro do GSI e responsável direto pela segurança presidencial, foi de uma desfaçatez blasée, afirmando que “não tem bola de cristal, que foi uma “falta de sorte, justo numa missão oficial” (então o tráfico é comum? ter sorte era completar a transação?), e ainda que não houve revista por falta de efetivo. É o que resta a ele, agir com naturalidade, assim como a pessoa que se borra nas calças no meio da rua e afeta um ar superior para mostrar que está no controle da situação; já a nota do presimento foi mais como o homem pego pela esposa com outro homem e reage indignado: querida, o que este homem está fazendo na nossa cama? Que dizer do Waintrolha, que fez mais de uma piada antipetista com o acontecimento e ainda escreveu “acepipes” em vez de “asseclas” (vide Kafka/kafta)? Freixo foi um a sair contra associar o presidente diretamente à brizola, atitude de prudência. Freixo devia ser presidente um dia. Voltando à realidade, o MPF respondeu à VazaRato com novas denúncias contra Lula e bloqueio de fictícios setenta e oito milhões. Na ONU, o chanceleso faz vergonha obstando-se à palavra “gênero” (em breve a tirarão até das gramáticas); países fundamentalistas islâmicos vibraram,no entanto. Talíria Petrone, em quem votei, tinha um plano contra sua vida na deep web, e o Witzel se recusa a oferecer proteção. Petroleiros denunciam desmonte da Petrobrás: pagamos aluguel pelos gasodutos que construímos. E o supino tribunal federal, sempre caudatário do poder, deu o selo à venda, sem aprovação legislativa, de “subsidiárias”, ou “nacos” da empresa tão central aos sabotadores da nação. Trump nem tenta fingir empatia ante a foto que circulou o mundo de pai e filha afogados tentando entrar nos EUA, e o país que levantou fundos de emergência para um muro não pode usá-los para aliviar o sofrimento; é claro, o sofrimento é parte importante do fetiche autoritário. Na Tunísia, duplo ataque suicida, depois revindicados pelo dúbio Estado Islâmico, e o presidente hospitalizado horas depois. Em Brasília, a estrutura mais central na concepção da cidade, a rodoviária do plano com sua plataforma, está ameaçada de desabamento. Emblemático para a cidade, emblemático para o país: a cidade funciona ao avesso do pensado e relega a área ao descaso por quem a frequenta, e o país se deteriora a olhos vistos, pronto a desabar a qualquer instante. Governo inventa dispensa de licitação do concurso do outrora respeitado Itamaraty, e tudo indica que vão encher a casa de cruzados terraplanistas. Assessor do Minitur, o que caiu sem nunca cair, é preso pela fraude nas candidaturas femininas. Por último, a notícia mais preocupante: mil armas pesadas foram interceptadas na Argentina a caminho do Brasil. Se o Nazi matar trinta mil numa guerra civil, ninguém diga que ele não tinha avisado.

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