Acaba Mundo CCLXXV

Hoje são vinte e um de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Enquanto nos distraímos com nossa ópera trágico-bufa-cyberpunk, o líder do mundo livre anuncia a política nuclear Dedos Coçando que já mencionara durante a campanha, para depois recuar, numa ameaça não muito sutil ao mundo, e ao Irã em particular, a única peça da integração eurasiana que ele tem coragem de atacar. Se tem, pois a guerra já foi simulada e perdida nos computadores do Pentágono. Ontem o Irã derrubou um drone espião em seu território. Os EUA alegam que estava em espaço internacional, fazendo turismo provavelmente. O Agente Laranja lançou outra bravata, uma ordem de ataque sustada. Um conflito pode levar a um colapso do sistema de derivativos de petróleo, e eventualmente de todo o sistema financeiro global, e a mais uma onda de crises financeiras. A nossa última nem chegou a passar, ao contrário, estamos pagando o preço de apostar nas commodities, remunerar os títulos com juros que compensam mais do que investir e produzir, permitir que a sabotagem dos godemes escangalhasse um sem número de cadeias produtivas (por mais que nunca tenha atiçado flâmulas da Odebrecht). E estamos também pagando o preço da ópera trágico-bufa-cyberpunk, é claro, até o Financial Times já publica isso. Até aqui não chegava a ser apropriado descrever Bozonazi como um ditador, no entanto, após ser derrotado quanto à demarcação de terras indígenas (que ele quer tirar da FUNAI), bateu no peito: quem decide sou eu. A população se deteriora tanto quanto o governo, cada vez mais notícias de violência gratuita, os feminicídios comprovadamente aumentaram, está assustador este país. Em Brasília, o piloto de uma Mercedes arrastou no asfalto uma idosa que vendia balões após ela não aceitar uma “barganha” de dois por um; a acusação? Roubo. De um balão. Qualificado de lesão. Isso foi uma tentativa de assassinato. Em Florianópolis outro em carro caro atropelou gente de propósito após discussão e abandonou o veículo, contando com ajuda máxima da imprensa para não ser revelado. Uma mulher foi morta por um monstro que não gostou do bolo numa festa junina. É de um trágico sem redenção. Mas passemos ao bufo, ou antes bufo-cyberpunk. A direita vai de teoria de internet mesmo, agora foi a IstoÉ a soltar matéria que descreve um esquema que envolve Santa Catarina (onde é difícil achar um único esquerdista, aliás), Rússia e Emirados Árabes. Chegamos ao ponto em que a LJ é uma cria brasileira e os vazamentos são um complô geopolítico. Os donos do Telegram estariam envolvidos, mas mesmo assim, por algum motivo ainda é necessário que haja um hacker para invadir o Telegram, Edward Snowden está obviamente envolvido, e a motivação dos donos do Telegram seria o fato de serem muçulmanos (não são, só moram em Dubai) e Bozonazi pagar pau pra Israel, daí eles curtirem um lulismo. Raquel Dodge, casada com um agente americano, mandou dizer que as revelações não podem ser usadas em favor de Lula, e o governo soltou nota temendo violência nas ruas se Lula fosse solto. Eu fui brincar que meu relógio dizia março de sessenta e quatro e fui oportunamente corrigido: aqui é dezembro de sessenta e oito. Acaba mundo.

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