Acaba Mundo CCLXX

Hoje são dezesseis de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Eu mesmo acho que saturei de acompanhar a política, uma vez que além de lidar com o comportamento do governo há que se lidar com o comportamento da horda de comentadores nas “redes sociais” que tantas vezes já prometi abandonar. É uma gincana superficial, passional e narcisística. Por exemplo, algo que tem me irritado é atribuírem o fascismo e o fanatismo a doença mental. Lá estão os “desconstruídos” que se acham imunes a preconceitos perpetuando a mania de desmerecer com essa pecha; eu como louco me ofendo, mas mais do que isso, uma tal explicação exonera os fascistas, torna-os inimputáveis, e por fim fica evidente que falta clareza sobre os fenômenos. Bem, eu disse ontem que comentaria as manifestações de rua. No dia quinze de maio houve uma de esquerda focada nos cortes da educação (o ministro Weintrolha alegou “balbúrdia” nas universidades como motivação), o comparecimento foi massivo, mas a promessa de que a do dia trinta seria maior foi uma maldição, pois a segunda não vingou muito. Também a greve geral contra a reforma da previdência dia quatorze deste mês não foi um sucesso estrondoso – e houve dezenas de prisões arbitrárias. O mais preocupante foi ver o teor das manifestações pró-governo em vinte e seis de maio. Acuado com ameaças de impeachment, o Bozo chamou seu séquito às ruas, depois tentou se desvencilhar para não incorrer em crime de responsabilidade dado o teor autoritário dos atos, que investiram contra congresso e supremo – enquanto a imprensa tentava fazer crer que eram pró-reforma. Voltando ao presente, a votação da inconstitucionalidade da súmula do TRF4 que determina prisão automática em segunda instância (a que garantiu a prisão do presidente Lula), que estava marcada para este vinte e cinco, foi jogada para novembro pelo Cachorrinho de Milico, o patético Dias Toeffe. O general #Helenão andou pedindo perpétua para ele depois que Lula levantou a lebre da facada. Bozo, talvez ciumento das atenções sobre o Sarraceno, fritou Levy do BNDES e outro bagrinho em entrevista, rifou o gal. Santos Cruz (por se opor ao financiamento de blogueiros fascistas) e defendeu armar a população (leia-se paramilitares de direita) para “evitar golpe de estado”. Vamos adiante enquanto o mundo não acaba.

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