Acaba Mundo CCXXIII

Hoje são dois de fevereiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. A eleição no senado tomou contornos grotescos, o que não é mais surpresa. Um determinado Alcolumbre, senador pelo Amapá, apadrinhado pelo Oxiúro, deu golpe na mesa e, apesar de candidato, fez-se presidente e fez alterar, contra o regimento, o regimento que prevê voto secreto, apostando no constrangimento que os colegas teriam de votar na “velha política” do Renan. A casa virou uma bagunça com Kátia Abreu roubando a pasta dos trabalhos para sabotar o usurpador, e o público descobrindo que Esperedião Amin e Tasso Jereissati estão vivos e com mandato. A noite acabou com Maranhão, o mais idoso, estabelecido na cadeira para o prosseguimento nesta manhã. Na madrugada, Toeffee soltou a canetada restabelecendo o voto secreto; o legislativo deveria saber limpar a própria bunda, e o ministro não merece qualquer elogio, mas a decisão é correta. Mas isso não é tudo, circula que o usurpador da mesa mandou instalar uma sonda no pinto para não precisar se levantar nem para ir ao banheiro. Nem Garcia Márquez pensou nessa. O abraço de Renan e Bozokid F é revelador, bem como o telefonema que já foi comentado: a guerra é interna à camarilha, é Oxiúro versus Posto Ipiranga. Se o problema do PT foi conviver bem demais com o antigo modus operandi, parece que o clã bozonazista peca, mesmo com uma pauta que reverbera no legislativo, por não saber lidar com velha, nova ou qualquer política. E a esquerda? Está até agora fazendo aritmética especulativa para saber quem traiu quem, há quem critique o PT por lembrar Lula em suas manifestações, quem critique o PSol por não lembrar (e deveria mesmo lembrar), e as duas siglas juntas tentam barrar a fusão do PCdoB com o PPL para se salvar da cláusula de barreira. Como já disse antes, este momento sombrio poderia ao menos servir para unir todo mundo que não é extrema-direita contra essa vaga, mas já viu. A direita tradicional e o mal-chamado centro já estão no colo do mito, e a esquerda bate cabeça como sempre, ou como nunca. Um deputado estadual de Goiás assumiu com chapéu de caubói e uma moreninha brejeira dos goiases no colo, mais um pouco saca uma arma e atira pra cima; não que não tenham entrado deputados e assessores armados no plenário, na capital, como se não fosse nada. Tem um sujeito que tenho até evitado comentar, que de opção dos esquerdistas “ponderados” se tornou auxiliar do Bozo para aprovação do desmonte da previdência. Que seja. ONU manda dizer que Maduro, que eu acreditava que cairia do galho muito antes, é legítimo. A melhor proposta é a do Mujica, traz a ONU pra consertar, e aproveita faz o mesmo no Brasil, né? Mais uma do ministro do obscurantismo: brasileiro é canibal e rouba coisas de hotel – será que ele sabe que bloquinho e caneta são brinde? – e até assento de avião. Mal posso esperar o próximo voo para roubar o assento, nunca tinha pensado nisso; vou segurar ele contra o peito e desejar bom dia à comissária na saída. Acaba mundo.

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