Acaba Mundo CCXXI

Hoje são trinta e um de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. A Vale suspendeu a operação de algumas minas e quer posar de santa. Israelenses anunciam partida alegando terem sido mal tratados pelos profissionais brasileiros; provavelmente é lorota, mas seria uma delícia se fosse verdade. Agora deveriam se certificar de que voltam com equipamento e tudo para Telavive em vez de aproveitarem a viagem para alguma outra missão na Amazônia, ou algo parecido. Estouro de duto emporcalha o mar turquesa de Arraial do Cabo. Ministério do obscurantismo solta uma nota que em vez de esclarecimento vira uma invectiva, no melhor estilo macartismo bananeiro, contra um jornalista que teve seu envolvimento com os soviéticos no passado, hoje insuspeito colunista do Globo. Ancelmo Góis achincalhava o PT, deu sua força pro golpe, e quase que eu o chamo de fascista quando deparei com ele em Parati – é claro que seria tosco de minha parte. Na verdade eu tenho um método, eu uso muito ao passar pela polícia: eu finjo que estou espirrando, FA-TCHIIIS-TA! É mais seguro do que xingar em alto e bom som um pelotão inteiro, como já tive a oportunidade de fazer. Mas a gente não deveria abusar da palavra até que ela não signifique nada, o que aliás Orwell já alertava em meados do século passado. Levantou-se que a ministra da goiabeira não tem ensino superior, embora ostente até mestrado, e a revista Época (Bozo que se cuide com a Globo) solta uma capa sobre as sinistras histórias da ONG de que ela faz parte, que envolvem sequestro de crianças indígenas, o qual ela tacitamente admitiu em postagem. Todo esse sistema de evangelização de índios vem da gringa, de think tanks e fundações como Council of the Americas, Rockfeller Foundation e por aí vai. Não só de indígenas, o projeto neopentecostal é um projeto político e geopolítico, e a prova disso foram as bandeiras de EUA e Israel na posse do Nazi. Enquanto isso nosso governo orgulhosamente anuncia que uma de sua principais metas será cumprida: o passaporte voltará a ostentar o brasão da república. É nomeada secretária de alfabetização uma moça cuja única credencial é um trabalho de graduação CONTRA a escola, e a favor do ensino doméstico. A cruzada deles é para desacreditar de vez a escola e deixar todo mundo ser educado pelo zap e por fanáticos religiosos. Acaba mundo, sete meses.

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