Acaba Mundo CLXXIX

Hoje são vinte de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Hoje eu voltei ao meu velho conhecido museu britânico, os receptadores das pilhagens inglesas em sua fase áurea. Digo velho conhecido porque da primeira vez que cá estive fiquei num albergue bem por ali, e não passava um dia em que não fosse lá. É “de grátis” mesmo, né? Desta vez para me redimir eu doei cinco libras. Naquela época eu gastei umas quatro visitas para ver Mesopotâmia e Egipto. Desta eu explorei Índia, Japão, mais algo das viagens do capitão Cook pelo Pacífico, relógios, e entabulei Islam, até ser enxotado. O que mais me ficou na mente é como os povos e civilizações estabeleciam conexões entre si, numa fertilização cruzada, e como há diversos povos que não entram no top ten das nossas toscas ideias da marcha dos acontecimentos (com destaque para nossa ignorância deliberada em relação à África). Uma coisa que tem me irritado em Londres é a dificuldade de achar um restaurante decente. Só tem cadeias de café como starfucks e assemelhados a cada duzentos metros, um tanto de starfucks de comida, com comida de plástico em potinhos de plástico e os restaurantes mesmo servem uma porçõezinhas de merda, no mais das vezes por um preço absurdo. Bem, eis que volto à Sam Wanamaker Playhouse para ver Macbeth. Como disse ontem, estou ficando exigente. Não vou me concentrar nas observações negativas para que não pensem que foi ruim, mas preciso dizer que Paul Ready é mais talhado para Don Armado de Love’s Labour’s Lost, em que esteve fantástico (a produção que virou DVD) do que para Macbeth. Ele faz como o Fassbender daquele filme ruim, e se mantém a mesma pessoa do início ao fim, quando no meu entendimento Macbeth é tomado pela loucura após o crime. Foi bom voltar a ver a ótima Michelle Terry (Lady Macbeth) em cena, que está na produção citada e nas duas que vi ao vivo em dois mil e treze, A Midsummer’s Night Dream e The Tempest. Desde então ela se tornou diretora artística do Globe, não menos. De volta à peça de hoje, o teatro fechado e seu jogo de luz é aproveitado, e o teatro podia ficar todo escuro ou iluminado por uma única vela em momentos. O figurino era basicamente de negro, também, algo contemporâneo com algumas tintas de século dezoito, me pareceu. É mais um furo no cartãozinho da bardófilo, e amanhã tem Richard II. Vamos em frente.

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