Acaba Mundo CLXXIV

Hoje são quinze de dezembro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Metade do mês e eu já quero escrever dezenove em vez de dezoito. Então vamos lá. A conversa da ministra (mulher, família e direitos humanos) e seu Jesus no pé de goiaba tem um plot twist: estaria relacionada a um episódio de abuso, de forma que todo mundo que riu dela seria um monstro insensível. Eu não assisti à fala dela, tampouco acho que rir das asneiras dessa gente vá debelar a ameaça que representam, só o que quero dizer é que são contra educação sexual, que ajuda a prevenir, expor e punir os abusos, então até que mudem de ideia ninguém me peça pra aliviar. Vi imagens de um culto em que ela e sua congregação eram “possessos” pelo espírito santo e se contorciam, certamente “falavam línguas” e tal; isso é gente perigosa, que acredita em se entregar cegamente à liderança e tem certeza absoluta de que deus está com eles e não podem estar errados. Na UniRio, grupo neointegralista uniformizado invade e rouba bandeiras antifascistas; até os funcionários têm medo de falar a respeito. Minha percepção de que após as eleições as coisas acalmaram está ameaçada. É um pouco como o fim de dois mil e quinze, quando o processo de impeachment foi aceito, todo mundo curtiu suas férias e o circo só foi mesmo pegar fogo no março seguinte. Nove dos ministros do Bozonazi encrencados. A mesma Damares da goiabeira tem uma ONG que abusava de indígenas, incluindo sequestro e a encenação de um infanticídio. Guedes tem pepinos na administração de fundos de pensão e, surpresa nenhuma, negociações com informação privilegiada. O palhaço do meio ambiente já fraudava o meio ambiente como secretário paulista. O Lorenzoni, que tatuou o braço para “se lembrar de seu erro” recebeu um caixa dois, que é quase uma banalidade, não fosse sua hipocrisia, e não fosse a empresa a poderosa JBS, que também é a questão da ministra da agricultura, cujo patrimônio disparou desde a entrada na política. Aí tem o tal motorista, e a filha dele era funcionária fantasma do Nazi, só que em vez de vender açaí era “personal trainer”. Tremendo desperdício de tempo registrar tudo isso, é claro. Como disse o Moro, o importante é que se arrependeram. Aí o tal João de Deus, o das curas milagrosas que não escapou do câncer, ora acusado de abuso sexual, declara que Moro é “guiado por Deus”. Como eu disse, essa é a gente mais perigosa. Acaba mundo!

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