Acaba Mundo CLXVIII

Hoje são nove de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Como eu disse ontem, enquanto o pessoal se diverte com ninharias – como diria o personagem do Machado, quer se sujar, suje-se gordo – os sem terra são de fato perseguidos, e mortos: dois na Paraíba. É claro que não é um tipo de crime novo no país mais letal do mundo para ativistas, nem eu acho que tuiteiros por assim dizer progressistas poderiam tê-lo evitado. Mas às vezes me incomoda a falta de foco. Que me importa quem abandone entrevista coletiva, seja Moro ou Lorenzoni, eles precisavam mesmo é de uma entrevista corretiva, e quem está achando que riu por último por conta dessas bobagens não entendeu nada. Uma nulidade que foi secretário do chuchu e responde por improbidade e, pasmem, crime ambiental, após campanha derrotada incentivando assassinato de sem terra, torna-se ministro do meio ambiente, uma daquelas pastas que já foram extintas, incorporadas e ressuscitadas. Como dizem, haverá dois ministérios da agricultura na prática. O desastre ambiental anunciado, na minha opinião, já é motivo para intervenção internacional. É claro que da otan não será, da qual podemos mesmo seguir a Colômbia sendo membro aliado, ou antes protetorado dos godemes. Que exploda. Encontro-me em Toulouse – No time Toulouse! – após visitar o museu da Résistance em Limoges, com um pouco de pressa, e o Manu traduzindo os textos em francês para inglês anulando qualquer chance de entender nenhum dos dois. Foi uma correria chegar aqui no apartamento e receber as chaves, pois não há recepção, mas é um lugar legal, tem cozinha e lavadora, o que é uma mão. Na verdade, se não tivesse me afundado tanto na misantropia, bem que podia estar aqui com uma parceirinha. Dommage. Espero aproveitar esta semana aqui para escrever, e comprar um casaco mais quente, porque daqui em diante é Inglaterra e norte do continente. Tem sido muito bom tirar a cabeça do Brasil, mas talvez eu tenha exagerado na duração da viagem. Eu só queria sair o quanto antes e voltar depois da posse, ou não voltar, dependendo dos desdobramentos. Só depois eu me dei conta de que não sou ninguém na fila do pão e ninguém teria motivo para me perseguir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s