Acaba Mundo CLXIII

Hoje são quatro de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. O melhor de Paris tem sido o quarto com sacadinha para fumar. Por falar em fumar hoje roubaram meu tabaco que deixei na mesa de fora do café enquanto ia ao banheiro. Lição assimilada. Ontem comprei mais uma vez um hash marroquino, da mão dos marroquinos, e parece ser o mesmo do Porto. Eu me lembro quando estudava francês com o Mohamed, que garantia ser possível despachar hash pelo correio disfarçado com cola de sapateiro e borra de café. Aí ele visitou o Marrocos e disse que já não é tão simples. Não se amarra cachorro com linguiça mais. Outra coisa boa aqui é o chocolate noventa por cento. No Brasil mesmo o oitenta e cinco aparentemente foi um fracasso e quase não se encontra. Segue sendo foda comprar famoso chocolate francês ou belga quando não há um pé de cacau nesses países, e os trabalhadores na África ocidental às vezes nem conhecem chocolate, mas meu boicote não ia resolver nada. Visitei hoje os jardins de Luxemburgo e as catacumbas de Paris, que só me fez pensar que cemitérios são uma grande bobagem, e não são só os ossos de gente pobre que deviam ir parar amontoados daquele jeito. De resto, tomei uma decisão importante: quando estiver em Amsterdam vou experimentar cogumelos amanita. Há quanto tempo não tenho uma experiência nova na vida? É claro que conto depois, mas ainda falta muito. Pode ser a última chance antes do fim do mundo.

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