Acaba Mundo CLXI

Hoje são dois de dezembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Eu fico vendo notícias do Brasil e só me dá preguiça. A revolta já se esgotou. Tem uma mulher aí cotada a ministra que faria da Amélia uma feminista. Até o ponto G pra ela é invenção do PT. A primeira dama é a Rosane Collor rediviva, e não demora o assistencialismo  dela será investigado, mas não punido. Matéria da Lhofa da corajosa Campos Mello aprofunda no esquema de zap, incluindo fraude de CPF de idosos. A justiça finge investigar, mas ninguém acredita que vai dar em nada. A tenebrosa PGR quer é cobrar o PT pela campanha de Lula, o que é acrescentar insulto à injúria, como se diz. Hoje fui ao Pompidou e conversei com um casal de brasileiros, que, sortudos, vivem em Paris. Ainda assim ela estava animada para curtir o carnaval na terrinha. Foi cansativo ver quatro exposições completas, incluindo uma sobre cubismo (no Brasil não permitiriam), acervo permanente e vencedores do prêmio Marcel Duchamp. Ainda ficaram duas que não tive energia para ver. O custo de vida aqui é mais alto do que em Portugal, e as porções menores. Hoje eu descumpri minha dieta rigorosa de kebab e comi duas vezes em restaurante, mas não satisfaz. Ou somos nós, ou eu, muito glutões. Pois que se dane. As quatro melhores coisas da vida são comer e viajar. E a propósito já pude ver que comprar um haxixe aqui na região também é fácil. Esse é um dinheiro que dá um peso gastar. O que não dá peso gastar é com livro. Hoje estive também na Shakespeare and Company, a livraria de Gertude Stein (que vi retratada por Picasso) e Alice B. Toklas (a dos brownies de maconha do filme com Peter Sellers). Comprei o Doctor Faustus do Marlowe para ler antes de ver a peça em Londres, mesma edição que tenho em casa e não me ocorreu trazer, e um outro que me chamou a atenção: Ubu Trump, uma adaptação do clássico de Jarry. Ainda busquei o Cardenio, a peça perdida de Shakespeare e Fletcher que alguém “reconstituiu”, mas não tinham. Super chique isso, fala a verdade, pedir um livro do Shakespeare que a Shakespeare and co. não tinha. E é isso por hoje.

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