Acaba Mundo CLVI

porto

Hoje são vinte e sete de novembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Descobri ontem que o mirante do Adamastor estava fechado e gradeado. Puta que pariu. As alegações, pelo que li, sujeira e grama pisada, são meras desculpas para impedir que os jovens se divirtam num espaço agradável e democrático. Não à toa, os únicos espaços abertos eram os privados. Os traficantes lá estavam, ainda assim, mas eu estava cansado demais para mexer com isso. Dou um tempo à cabeça até chegar a Amsterdão (como se fala aqui). Estou no Porto, mas sem muita energia para fazer turismo. O sono ainda precisa entrar nos eixos. Estou tentando não pensar em trabalho, mas como tenho pensado muito numa colega shakespereana, acaba sendo difícil. Ela achou o máximo eu traduzir Lucrécia, mandei o texto a ela, e estou caindo na besteira de me apaixonar de novo, aparentemente. Eu vou passar a dar cinquenta cêntimos a qualquer um que me peça trocado, em troca de dez minutos de conversa sobre o que seja, para desbaratinar. Ontem conversei um bocado com um angolano gente boa no Largo de São Domingos, mas como minhas habilidades sociais são perto de nulas a maior parte do tempo vai ser curtindo meu solipsismo mesmo. Amanhã vou à universidade conversar com o Rui. Esse vai ser meu plano de escape se a prometida perseguição aos esquerdopatas se revele tão implacável a ponto de ser perigoso opinar na rede. E vamos adiante, se o mundo não acabar.

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