Ainda bem que eu ainda tenho uma cabeça

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O tráfego é péssimo no centro da Terra, e depois de tudo, quando eu ponho a cabeça no travesseiro, ainda bem que eu ainda tenho uma cabeça. Tudo que você me pede é que eu dilacere a própria pele, que traga na mochila a eternidade e copos plásticos. E eu acabei de dar o trocado que eu tinha, de verdade. Quando a diversão do condomínio é colonizar a sentença, e a constância espirala rumo ao póstumo, não é de admirar afinal que as torneiras protestem. Eu perdi o ônibus e depois achei no bolso do calçamento, aturdido. Ofereceram ajuda, mas tinham mãos de lagarto e eu acionei o botão de rosa. Nem todo chaveiro cabe no bolso, e todas essas possibilidades são impossíveis, então não se deite no sofá de sapatos, nem diga o nome de Deus no vão da escada. Não compete ao pátio perceber a polissemia, e eu de minha parte preferiria ver o Papa dançando na garrafa a cair de cabeça no pudim, mas nem sempre há macacos disponíveis. No mais, é mais crível que os utensílios de cozinha flutuem do que a temperança tempere a demolição do substantivo. Já pouco importa, desde que o sol se imponha dentre as características famintas do imprevisível. Eu ainda tenho uma cabeça.

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