Acaba Mundo CXIII

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Hoje são vinte de outubro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Falava outro dia do perigo que corre a linguagem, já que estamos perdendo todo terreno comum de premissas tácitas. Eu observo hoje que, ao contrário de uns oito anos atrás, quando eu usava o tuíter pela primeira vez, ninguém pesca referência nenhuma, ou quase nenhuma, seja de literatura, mitologia, Monty Python, dessas coisas que gente esnobe faz questão de fazer piada a respeito. Cada um tem suas referências, compartilhadas com milhares de pessoas que nunca viram na frente. Cada dia surge uma bobagem nova da “lifestyle industry” e um monte de trouxa vai aderindo em busca de sua personalidade e vamos vivendo cada vez mais vazios. Ouço agora grita a respeito de Steve Bannon, após a matéria da folha sobre a campanha de guerra informacional. Volto à coluna de quatorze de agosto, quando comentei a visita dele. Quanto à coincidência com a visita do chefe do Pentágono, que eu assinalo, nunca vi jornalista, blogueiro ou influenciador levantar essa lebre. E é algo relevante se ele veio na missão oficial, né? Eu acho. De resto, tudo que escrevi, nesse dia e na véspera, se revelou profético. Quanto ao que estão chamando de “caixa dois do Bolsonaro”, como se a tática suja nem importasse, apenas o financiamento, só digo uma coisa, para não gastar meus dedos comentando sobre nossas instituições, que estão prevaricando normalmente: pobre da Raquel Dodge, que se vê constrangida a denunciar uma fraude planejada por seu marido. Bradley Dodge comanda a (nem tão obscura, para quem se informa) Escola das Nações. E a Dilma, que sancionou a Lei Antiterrorismo acreditando que um artigo preservava manifestações cívicas e movimentos sociais? Agora basta riscar o artigo, e um despacho aqui, um projeto ali, um pedido de urgência ali e voilà: todo esquerdista é terrorista. Eu vou-me embora. Prefiro ver o que vai virar de longe, e não acho nem um pouco covardia, porque quem bancar herói vai ser vilificado em duas gerações para justificar um novo golpe. Vou esperar o evento shakespeareano pra pegar umas dicas de docentes no Canadá, na África do Sul, em Portugal ou onde for. Estou partindo para o ato Haddad/#EleNão, amanhã comento. A menos que o mundo acabe.

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