Acaba Mundo LXXXVI

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Hoje são vinte e quatro de setembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Hoje eu fiz a prova do doutorado na Unesp, aqui em São José do Rio Preto. Acho que minha insegurança era exagerada; acredito ter feito uma boa prova. Só estou exausto depois de duas noites mal dormidas, com direito a acordar para vomitar o kebab de rua, nesta última. Acho uma bobagem discutir eleições quando um general está incrustado no supremo; parece que temos uma escolha entre golpe e autogolpe. Mas vá lá. Vi uma fala, muito lúcida, do Rui Costa Pimenta, que ao menos parece, da posição de partideco irrelevante que é seu PCO, livre de passionalismo para pintar o quadro, nada animador, do país. Uma das coisas que ele apontou é que esta megacampanha contra Bolsonaro é articulada pela direita, esperançosa de reverter a eclosão dos ovinhos de serpente que ajudaram a chocar. O porquê do “volte-face” provavelmente nunca se saberá, mas nos próximos dias deve ficar clara a linha de ação do sistema, porque acreditar que o PSDB vai a algum lugar na presidencial é loucura. Sei que agora se avolumam as personalidades públicas que nunca se meteram em política fazendo declarações, grupos, desafios a celebridades pop, as quais surgem mesmo no exterior, a maior parte talvez de boa fé, mas na esteira de um processo que soa artificial. E o que não é artificial hoje, afinal? Bem, se desinflarem o candidato fascista (e assumindo que a eleição vai valer) é uma boa coisa. Mas eu aposto que se for confirmado o segundo turno entre Bolso e Haddad, essa comoção vai arrefecer bastante com os antipetistas e neoantibolsistas se emudecendo ou endossando o mesmo que era inaceitável ontem. Campanha de Bolsonaro em Recife canta letra abertamente misógina, e correligionários seus no RS ostentaram veículos aparentemente do exército, que se revelaram peças de colecionador, mas ora! O mero fato de que alguém ache um ótimo marquetingue fingir que o exército o apoia (e apoia de fato, em grande medida) já é de cair o cu da bunda, como dizem. Tá vendo? Estou gastando várias linhas pra falar desse imbecil. É isso que ele é, um imbecil e mais nada. As pessoas se preocupam demais com as personalidades e ignoram os processos. Por que a gente não investiga como surgiu o fenômeno Bozo pra começar? Esse cara era nada, de repente é herói da molecadinha? Tem peixe aí. Há pouco foi revelado que Steve Bannon (o cara que inventou Trump) é assessor dessa campanha. Será que não o é há muito tempo? Será que os ataques cibernéticos que beneficiam o candidato (grupo de mulheres derrubado, celular de jornalista atacado) não vêm dessa turminha aí? Isso é olhar o processo. Quem apoia Bolso? Molecada de internet só? Ele não tem partido, estrutura, alugou a legenda. Pois que seja. Que siga a gincana macabra dos fascistas de um lado e das polianas eleitorais do outro. Que acabe o mundo, que importa?

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