Meio quilo de sonho

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Caminhei parado por uma erosão incomparável e pleiteei ao sol moribundo meio quilo de sonho. A resposta bateu asas até alturas abissais, frenéticas. Eu nem sei como colocou tudo de volta, e despareceu a tempo de prever o passado, mas enquanto teciam arco-íris solúveis, remando de porta em porta, não deixaram de reconhecer a súbita eternidade da labareda. Não duvido que o arquipélago se erga contra a polenta mórbida, uma vez mais. Da última vez que o meu cavaco quis revanche, os quadros no teto já nem fermentavam fábulas. Então pousei o fígado na pletora sísmica, sem que o lagarto houvesse indagado às ondas se já é meio dia. Não dá pra impedir, de fato. Tudo que é roxo tem que contestar o lírico, e impedir os fungos de pintar a eletricidade é impossível. Nunca pensei em parar, como se disso dependesse o universo, cada qual, e a estrutura prismática da insinuação de alta performance. Disse sim, tal um compacto cheio de dedos, que convinha registrar na prefeitura (nunca se sabe quando a passagem se reporta ao paraíso, afinal). Mas não há de ser nada, homem. Um dia é uma perspectiva, e os prospectos devem marinar sua complacência, eventualmente. Lá fora está o íntimo, rasgado e desprezado do trapezista, enquanto o macaco soluça. E ninguém vai pagar esse custo.

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