Acaba Mundo LXXV

voto

Hoje são treze de setembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Nestas eleições, que mal deviam ser levadas a sério, um instrumento marcado pelo pragmatismo desapaixonado está sendo debatido, como dificilmente escaparia, no diapasão da irracionalidade. Falo do voto útil. O voto em que as circunstâncias falam mais alto que a preferência, ou seja, trata-se de tentar impedir um resultado indesejado, mais do que expressar sua escolha individual. Não só há uma batalha entre os que rejeitam o voto útil por princípio (ou conveniência) e os que o defendem (por princípio ou conveniência), mas também outra batalha, para decidir quem representa o verdadeiro voto útil contra os fascistas. Os partidários de Ciro mostram os números, e os de Haddad confiam na transferência na reta final. Ocorre que não funciona assim. O voto útil se baseia necessariamente nos cenários expressos nas pesquisas, fundamentalmente as mais próximas da votação. Tampouco é tão simples quanto votar no segundo para prejudicar o primeiro, ou eleger o anti-fulano ideal. Primeiramente, o segundo turno já existe para você exercer um voto pragmático no menor dos males, caso sua opção tenha ficado pelo caminho. Então outra afirmação que circulou, que “voto útil é no segundo turno” é um pouco redundante. Voto útil é no primeiro, é abandonar a convicção para influenciar seja a composição seja a própria existência de um segundo turno. Para mim é mais fácil obviamente exemplificar usando minha própria posição ante a cena atual das eleições presidenciais (e excluindo a possibilidade, nada remota, de novas reviravoltas). Cenários em que voto com a consciência (50): 17 em primeiro e seja 12 ou 13 consolidado em segundo (segundo turno definido). Ou: 17 em primeiro, com 12 e 13 disputando o segundo posto muito adiante do quarto. Ou: 12 e 13 virando pra cima do 17 e sacramentados no segundo turno. Cenários em que voto útil: 13 lidera e 17 disputa vaga no segundo turno com 12 (voto 12), ou igualmente se 12 lidera e 17 disputa com 13 (voto 13). Se o 45 se recupera e chega a disputar acesso ao segundo turno com 12 ou 13, voto contra o 45. Também voto útil se o rumo das pesquisas mostrar que 12 ou 13 têm chance de liquidar a fatura no primeiro turno. Sendo voto em função das circunstâncias, voto útil não existe fora das circunstâncias, não pode ser absoluto. Mas eu ainda acho que estou me importando demais com esse arremedo de democracia quando já se brande o autoritarismo sem pudor ou receio de represália.

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