Acaba Mundo LXXIV

piccolo

Hoje são doze de setembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Orbán da Hungria é advertido pela UE por “valores incompatíveis”, leia-se fascismo. A atriz Ottavia Piccolo foi interpelada pela polícia em Veneza por usar lenço que é um símbolo antifascista. O ministro de interior italiano, Matteo Salvini, líder dos fascistas, está sob investigação, por impedir o desembarque de um barco de imigrantes, e o procurador Luigi Patronaggio acaba de receber uma ameça de morte. Na Alemanha mesmo, em Chemnitz, leste do país, houve um burburinho neonazista por esses dias, e Merkel lançou uma condenação severa. A besta está botando fogo pelas ventas por toda parte. A Rússia, após massivos exercícios no Atlântico, realiza demonstração de força em conjunto com a China envolvendo trezentos mil soldados, e a OTAN “denuncia” iminência de conflito de larga escala. Os anunciados ataques de bandeira falsa com armas químicas na Síria, talvez pelo anúncio, não ocorreram, mas não se descarta uma ação americana para tentar reverter a derrota, ou, como apontou o Pepe Escobar, criar um pântano para prejudicar a Rússia. A Turquia é aliada americana no campo de batalha, mas quer se juntar aos Brics e escantear o dólar como moeda internacional, e esse é mais um campo de batalha global. A única narrativa que amarra todas ou quase todas as complicações do mundo hoje passa pela derrocada do Ocidente e o declínio do poder imperial ianque. A América Latina sofre, como último reduto de influência a ser reconquistado, pelo meio que seja. A Argentina derreteu e tem uma década difícil pela frente. O Brasil vai administrando a guerra cambial, mas passa por um desarranjo intestinal, digo, institucional que não tem data para terminar, um fascista é o favorito do establishment, e a economia real mesmo, das famílias, está um desastre, com a reforma atrapalhista trabalhando, quer dizer, reforma trabalhista atrapalhando. A Venezuela sofre décadas de sabotagem externa, complica-se na corrupção e ineficiência e desrespeita os direitos humanos demasiado para merecer apoio incondicional. A Nicarágua é o mesmo, in a nutshell. O Evo Morales, por mais que eu goste dele e admire o que passou na Bolívia, já busca o décimo primeiro mandato, o que não é lá muito saudável. Ao menos o Plano Atlanta de guerra judicial ainda não atingiu a ele. Quem quiser bancar a Poliana vai lá. O quadro é mais ou menos este.

2 Respostas to “Acaba Mundo LXXIV”

  1. katz22 Says:

    Tremendo resumo.
    Foi na jugular…

  2. leosfera Says:

    Valeu, Katia!

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