Meu Decálogo

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Muito já se debateu sobre os bons e os maus costumes de escritores. Em suas vidas e em sua escrita. Mais de um deles já formulou regras de aplicabilidade geral que supostamente guiariam o ofício ou ao menos evitariam os problemas mais recorrentes. Certamente cada conjunto de princípios reflete a concepção de literatura de quem os propõe. Seria arrogância para um escritor medíocre, como é meu caso, enunciar minhas próprias regras de boa escrita, ou pelo menos seria arrogante aspirar a ser levado a sério. Assim sendo, limito-me a produzir sim meu próprio decálogo, mas dirigido a mim mesmo. Tentarei listar algumas das normas de comportamento, na escrita e na vida, que eu gostaria de impor a mim mesmo, se não fosse tão apegado aos maus hábitos.

  1. O leitor não está na sua cabeça. O mundo não está na sua cabeça. Seja claro e não tenha preguiça de reler, tomar distância e voltar a reler como se fosse o leitor, pobre coitado, exposto a suas caóticas linhas pela primeira vez.
  2. Você conhece muito bem seus lugares comuns. Eu sei que é confortável. Eu sei que flui naturalmente. Esse é o problema. Não é natural, é automático. Não é porque ninguém vai ler seus textos, ou mais de um ao menos, que você pode ficar repetindo o mesmo motivo tantas vezes. Você vai ler adiante e vai se envergonhar.
  3. Quando tiver a impressão que está prosseguindo para se livrar de um fardo, pare. Vai ficar ruim.
  4. O ponto final é seu amigo. Não há a menor necessidade de construir frases quilométricas, e o efeito é de confusão. De propósito nada, não vem com essa conversa. É como dizer que música avantgarde é feita por quem não sabe tocar.
  5. Não beba para escrever. Se tiver que beber, pare ao primeiro soluço. De escrever, é claro.
  6. Manter uma boa postura é uma boa postura. Indica concentração. Dá pra sentir quando o texto está ficando capenga junto com seu autor.
  7. Um fluxo ininterrupto de ideias é uma descarga de adrenalina, um efeito de droga. Sei que você gosta de substâncias psicoativas, mas há um objetivo aqui em mente e não é ficar chapado, é produzir um texto. Pare um pouco, volte um pouco, dê uma chance à deliberação. Principalmente perceba como a internet explodiu sua ortografia, e como longas tiradas levam a períodos abstrusos.
  8. Você percebe e se recusa sempre a admitir que percebeu, quando uma passagem ficou esculpida toscamente, quando mais detalhe é necessário. Descreva o que merece ser descrito, do contrário vai parecer uma criança contando uma história.
  9. Tente ao menos criar personagens que não sejam, absolutamente todos eles, desdobramentos de si mesmo.
  10. Não se apresse a declarar um texto pronto. É uma ansiedade sem nenhum sentido.

 

 

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