Acaba Mundo LXV

museu

Hoje são três de setembro de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Leio matéria apontando que há uma tentativa, obstruída por EUA, Rússia, Israel, Coreia do Sul e Austrália, para impor um veto aos robôs assassinos autônomos. Esse é um dos exemplos de que não há limites éticos à tecnologia: se pode ser feito, vai ser empregado. Está vindo aí uma realidade que era gibi outro dia. No fim eles vão perceber que a guerra sem morrer gente ficou chata? Ou será que esses robôs vão se voltar contra os civis, vão dominar a raça humana eventualmente, depois de desenvolver a capacidade de se replicarem? E se apenas os robôs sobreviverem a um cataclismo nuclear? Taí um belo fim do mundo. Ontem aconteceu uma tragédia nacional. Mais, mundial. Para a ciência, para a cultura, para a história. O incêndio do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista. É uma mostra da deterioração do país como nação, e reflete não apenas o caos mais recente, mas uma longa história de descaso. Alguns usaram o incêndio como apenas mais um assunto no tradicional arremesso mútuo de merda, mas isso está longe de ser o pior. Toscos convictos se apressaram a minimizar ou mesmo comemorar o acontecimento. Isso é uma versão, ainda que passiva, da grande fogueira de livros na Alemanha dos 30. Mais de um político, destaque para o prefeito evangélico carioca, prontificou-se a reconstruir o museu, como se o que importasse não fosse o acervo, que incluía o crânio de Luzia, o mais antigo da América, pterossauros, múmias, registros de línguas extintas, e passava de vinte milhões de itens. É uma tragédia o descaso, afinal alertou-se sobre os problemas, e é uma tragédia a ignorância, cada vez mais orgulhosa de si, de grande parcela da população, em especial no poder. Eu estive no museu em dois mil e quatorze, foi até uma colega minha de UnB quem me chamou, lindíssima e inteligentíssima, mas que sempre teve namorado, aliás; e que bom que chamou, ou eu provavelmente não conheceria. O Brasil é a vanguarda do fim do mundo. Vai desabar em cima das nossas cabeças.

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