Acaba Mundo L

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Hoje são dezenove de agosto de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Mas a ONU acabou, pois segundo a rede golpe a decisão sobre Lula é “fake news”. Pós-verdade é isso, pode-se inventar ou desqualificar a verdade que for. Basta atacar a jugular do viés de confirmação do seu público. Eu falei sobre o “primeiro passa-moleque”, mas não é verdade, a ONU já se pronunciou contra a reforma trabalhista e a pec do fim do mundo. E, para os que só enxergam unicórnios saltitantes quando olham para trás, o Brasil sob PT já mandou às favas determinação do mesmo comitê de DH acerca de Belo Monte, ou belo monstro. O mais enervante nessa conversa toda é que a decisão saiu numa sexta feira, ficando o fim de semana meio em suspenso, todos aguardando os desdobramentos que virão a partir de amanhã. E nessa eu vou adiando a responsabilidade com meu projeto de doutorado. Anteontem eu perdi o ingresso para o Henry Threadgill e não posso me perdoar por isso. Mas ontem rolou uma jornada dupla. Primeiro eu vi o Itiberê Swarg e Grupo no Sesc Jazz. Ele é o baixista do Hermeto há décadas e seu show na minha opinião é até mais animado que o do mestre. Sete músicos em cena, nenhum toca apenas um instrumento, todos com grande técnica e maravilhosa sensibilidade. Na sequência me toco pra Pinheiros, um certo lugar bem curioso chamado Espaço Rio Verde, visual art neuveau, onde tocaria a Central Scrutinizer Band, a qual eu já mencionei quando falei da Let’s Zappalin. A banda, desde que eu a vejo, virada do milênio para cá, perdeu e ganhou alguns músicos, mantendo sempre o mesmo espírito aceso. Então vamos falar dos músicos: Mano Bap canta como um feladaputa e assumiu a puta responsa de ser a única guitarra a emular o gênio quando saiu o Rainer Pappon. Cadu Bap, seu irmão, canta muito e toca sax alto. Mago dos saxes e flauta, Hugo Hori, do Karnak, encanta com suas frases precisas. Outro do Karnak, Marcos Bowie cantava agudo e tocava trompete, e o Marcelo Ringel foi o barítono muito tempo, mas ambos deixaram a banda, o que é uma pena, porque a gama de sons se estreitou. Caio Góes é um monstro no contrabaixo e mereceu o apelido da banda de “muro de arrimo”. Eron Guarnieri está nos teclados há um bocado de tempo já, mas houve outros. Na sua discrição, o cara faz miséria em seus sintetizadores. Cláudio Tchernev pilota a batera desde sempre, e é curioso acompanhar a evolução de seu estilo, de mais explosivo e cheio de notas a intimista e minimalista. Por fim, apresentado como convidado especial, talvez em função de seu compromisso com a Osesp, Ricardo Bologna é, já há algum tempo, a peça que faltou por muito tempo, o percussionista. São vinte e oito anos de banda e isso não é pouca coisa, considerando que Zappa é para meia dúzia de excêntricos. Às vezes ficam pensando como seria se Zappa estivesse aqui para reagir a Trump. Eu digo nada disso, deixa o narigudo em paz. Além do mais os tempos são outros, e eu mesmo tenho já que fazer um esforço para não prestar atenção ao sexismo de várias letras. Vamos mantê-lo vivo ouvindo e tocando sua música.

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