Acaba Mundo XLII

gebran

Hoje são onze de agosto de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Eu escrevi dois mil e dezesseis agora, será que é vontade fazer o tempo voltar? Dois anos atrás o impeachment sem crime, ou golpeachment, estava já no senado. Tem sido uma sensação de pesadelo desde então. O país sempre foi disfuncional, isso é bem verdade, mas o que irrita neste ciclo atual de anormalidade institucional é a desfaçatez. Olha, seria trabalhoso e demorado fazer uma retrospectiva de todas as declarações em que figuras públicas defecaram e caminharam para a lógica e para qualquer receptor a preze igualmente. Talvez eu devesse, porque, afinal, se eu comecei a série para comentar os acontecimentos e o (assustador) espírito do tempo, tagarelar sobre besteiras da minha vida pessoal não vai levar muito longe. Fica como desafio a mim mesmo, mas por ora quero comentar uma específica. Não chega a ser uma declaração, é mais uma revelação pública de um comentário privado, mas atente ao fato de que a informação não foi desautorizada, e à peculiaridade de que a notícia, talvez fofoca, encontrou espaço na mídia golpista, e não nos blogs petistas interessados em desacreditar a “autoridade”. Estou falando do desembargador Gebran Neto, que de acordo com nota da Veja, admitiu a amigos que “não seguiu a letra fria da lei” ao impedir que Lula fosse solto por um HC, o que ele chama de “mal maior”. Tempo atrás um desembargador plantonista acatou um HC, muito frágil, na verdade, para a soltura de Lula. Moro, juiz de instância inferior, matou no peito, o plantonista retrucou e aí Gebran Neto pôs o pau na mesa e evitou seu “mal maior”. Tudo isso foi num domingo. Deve ter sido ele mesmo que mandou publicar a nota, só para tripudiar, sentir-se poderoso. Toda essa alta casta do judiciário está vendendo a partida ao adversário tal o Peru vendeu uma goleada à Argentina, e a paga deles é basicamente a vaidade, a húbris corporativa. Dinheiro, eu não duvido, mas é mais aquilo que o diabo do Pacino chama de seu pecado favorito. A Veja acaba logo, a Abril já abriu as pernas. O desembargador vai continuar desembargando. E a desfaçatez vai seguir rolando solta. Acaba mundo.

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