Acaba Mundo XXII

tristram

Hoje são vinte e dois de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. E a literatura, será que acabou? Escapa de acabar? Em tempos de distopia tecnoneofascista? Vai sobreviver como a excentricidade de meia dúzia de excêntricos? Que se dane no fim, mas por enquanto queria recomendar ao eventual leitor das maltraçadas um romance extraordinário. Mesmo, não é só muito melhor que a média, é uma experiência totalmente fora do corriqueiro. Mas antes que eu diga o nome de autor e obra, eu preciso contar sobre meu Tio Tobias, quando ele morava conosco no interior. Tobias criava galinhas, aliás, tem uma história ótima com as galinhas do Tio Tobias, naquele dia em que ele comprou o relógio. Eu preciso falar sobre esse relógio antes de falar sobre as galinhas, pois não se trata de qualquer relógio, porque foi comprado com o prêmio de uma loteria. Aliás, essa loteria… Pois dessa maneira mal imitada o narrador do romance vai deixando o leitor sem chão, mas sempre ávido pelo que vem adiante, mesmo sabendo que as expectativas criadas são sempre frustradas, mas divertindo-se tanto no trajeto que é difícil pôr o livro de lado. O romance usa técnicas inusitadas como deslocar capítulos inteiros para outra parte do livro, e recursos gráficos muito adiante de seu tempo. Trata-se de The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, do inglês/irlandês Laurence Stern, que escreveu no século XVIII. Aponta-se sua influência sobre Machado no Brás Cubas. Quem tiver a chance deveria ler logo. Antes que acabe o mundo.

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