Acaba Mundo XIX

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Hoje são dezenove de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Ai que preguiça, diria o herói sem nenhum caráter. Eu falo do Macunaíma, não do Moro, alguém que não entendeu a ironia do epíteto. Desanima, sabe? Moro está sendo Moro, o teleguiado o DoJ para praticar lawfare por aqui, o mau sendo mau (e mesmo a idolatria a ele esboroa, mostrariam as pesquisas se as houvesse). O problema é ver a população apatetada, trocando tapas em brigas comezinhas, mesmo que por causas mais do que justas, passionalmente pedindo condenação, absolvição, canonização ou suplício, baseando-se quase sempre em nada mais do que suas preferências pessoais. Mesmo estando “certos” em cada disputa, estamos “errados” de nos perder na superfície de uma sucessão de pequenas e grandes polêmicas. A direita deita e rola, porque a cortina de fumaça nem é preciso produzir, já que se produz a si mesma com sobras. Aos que se dizem esquerdistas, qual é o ponto central de todo esse processo, senão a ruptura democrática? Se é uma guerra de narrativas, à medida em que o poder dos golpistas em fabricar a realidade tem se enfraquecido, caberia aos partidários da tese de golpe alienar o mínimo de pessoas, formar pontes com quem não era apoiador do PT, talvez tenha até entrado na ciranda de ódio, mas hoje começa a perceber o que está acontecendo. O que vemos nas redes vindo de petistas são piadinhas sobre coxinhas arrependidos, dedos apontados pras falcatruas tucana, escárnio sobre o Psol, que denunciou o golpe ab ovo, e um misto ódio, troça e medo em relação a Bolsonaro. E isso circula numa bolha, prega-se para os convertidos. O PT, que já em 2016 mostrou seu costumeiro “pragmatismo” aliando-se nas municipais aos algozes com a ferida fresca, está claramente apostando tudo na candidatura do Lula, por meio das mesmas ilibadas e confiáveis instituições. É um desserviço, nem que seja porque o aparato estatal brasileiro hoje, sequestrado pelo bom e velho Tio Sam, tem por principal objetivo impedir a volta de Lula, ou seja, o fracasso por esse caminho é certo. Lula é gigante sim, mas o país é maior, vai continuar aí depois que Lula passar para aquilo que chamam de “melhor”. Há que se lutar por ele em paralelo com uma conscientização mais ampla, e é essa que não ocorre. Perde-se a chance de informar o público e explicitar o mecanismo do golpe, dizer a todos: não é Lula, é classe. E o episódio do HC abortivo, então? Resolveram agora idolatrar o “corajoso” desembargador Favreto. Isso é quase tão errado quanto persegui-lo, o que o judiciário já está fazendo, sinalizando que toda decisão pro Lula será punida. E segue a fulanização da conversa, do grande-líder-grande-inimigo, passando pelos onze bobalhões do Supremo (Cármen celebrava serem mais conhecidos que a seleção de futebol), até o mais recente youtuber ou influenciador de internet que falou algo absolutamente inaceitável. Protestos? Só na PF de Curitiba, e se estão de parabéns por resistir, também é verdade que estão dedicados de corpo e alma à figura do Lula e apenas.

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