Acaba Mundo IV

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Hoje são quatro de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Os Estados Unidos devem estar tendo o pior Dia da Independência desde a guerra civil e o mundo todo está em crise de abstinência num dia em que não há jogos da copa. A política local não parou, no entanto, de fornecer asneiras durante o torneio. Empresário-candidato dizendo que o país é socialista, procuradores fazendo insinuações sobre os ministros do supremo, não que estes sejam lá dignos de muito respeito, mas você sabe, a liturgia e tal. Eu já frequentei a casa da Mãe Joana e era um estabelecimento muito mais digno do que este arremedo de Estado que temos. Para piorar, alguma força misteriosa, que não me surpreenderia se tiver a ver com os Koch ou os Mercer, alçou um parlamentar boçal, expulso do exército, a líder local da onda fascista. Hoje ele se escondeu no banheiro para fugir de impropérios vindos de uma mulher. Eu devia fazer do Brasil um reality show e vender no mundo inteiro. Fico perdendo tempo com Shakespeare, que não dá audiência. No plano externo, Obrador venceu no México, um suspiro para a esquerda mas um novo temor de interferência americana, enquanto a justiça do Equador manda prender o Correa em outro exemplo claro de lawfare, ou guerra judicial. Enquanto o poder dos Estados Unidos declina, sua última cartada é apertar na América Latina. Na Europa, a Itália anuncia perseguição aos Roma, a Polônia acaba de passar por manobras de cunho autoritário, e a Alemanha anuncia os primeiros campos para imigrantes. O processo fascista vai ganhando velocidade. Os generais linha-dura de Trump parecem dispostos a atacar o Irã, e o próprio Trump insiste em invadir até a Venezuela, causando constrangimentos. A situação do nosso vizinho é difícil, em grande medida pela sabotagem externa, ainda que o governo não seja inatacável. A Argentina passa por outra implosão e muita dureza é de se esperar na nação um dia tão orgulhosa. E nós aqui, eta nóis, Lula preso por um processo farsesco com o único objetivo de tirá-lo da eleição, e até a manutenção dos direitos políticos da Dilma em 2016 está sendo questionada, à medida que ela se aproxima do senado. Eu fui muito crítico do PT no poder, mas hoje, ante essa perseguição bizarra, eu preciso ser solidário. E hoje é um cenário de tanta paixão que um tanto de gente se deu conta da fria do golpe mas não pode defender o PT de forma alguma então ficam calados. Mesmo os que têm bastante razão em suas queixas são quase sempre passionais demais. E vai seguindo essa nau dos tolos, rumo a um sabe-se lá que pode ainda ser bem pior do que hoje.

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