Acaba Mundo III

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Hoje são três de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Virou até piada manjada isso de perguntar pelo meteoro. E olha que dois passaram perto da Terra e não se interessaram por nossa gravidade. É bem mais provável que nossa espécie acabe inviabilizando a vida na superfície do planeta. Muito se fala no aquecimento global, e no que vem adiante. O que é certo é que já lançamos toneladas de lixo e produtos tóxicos na natureza, e não parecemos dispostos a frear esse modo de vida predatório, bem ao contrário, ele se expande. O conceito de desenvolvimento segue atrelado a pujança econômica e a qualidade de vida segue sendo medida em automóveis por habitante. Muito embora a responsabilidade pelos impactos seja em alguma medida coletiva, as grandes corporações são as responsáveis mais diretas, e seu poder global não para de crescer, tornando nanicos os governos (ou os derrubando para implantar nanicos, como ocorreu aqui), e isso não enseja muito otimismo. Talvez a última esperança seja que o petróleo se esgote e tudo se reorganize, seja com novas tecnologia ou com menos tecnologia e uma vida menos artificial. Por enquanto, nada de meteoro, nada de fim do mundo. E nada de democracia. Outro dia eu precisei comprovar regularidade com a justiça eleitoral para renovar o passaporte. É de se sentir ridículo. Comprovo que votei na eleição que foi revertida por um golpe parlamentar. Conseguiu-se alçar um juizeco a herói de uma campanha moralizante que na prática se configura como uma perseguição; procuradores também buscam sua dose de celebridade, anunciam jejum pela prisão de um ex-presidente. O pior de tudo é que a farsa pode ser grotesca à vontade, não há sequer a necessidade de fingir isenção para esses agentes públicos. E, como disse Rui Barbosa, a ditadura do judiciário é a pior de todas, pois contra ela não há como recorrer. O Brasil nunca viveu nada tão bizarro, um desarranjo institucional tão profundo, e é otimismo pensar que desdobramentos dessa ruptura não vão reverberar por décadas. A menos que venha o meteoro.

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