Acaba Mundo CCXII

janeiro 22, 2019

Hoje são vinte e dois de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. A maré de merda segue subindo pra cima dos Bozonazis e o jogo vai ficando interessante. É difícil ver alguma forma de normalidade institucional no horizonte, mas é fácil ver o mito fazer água em pouquíssimo tempo, e pior que isso, surgem agora conexões entre os Bozonazis e o assassinato de Marielle. Flávio já propôs comendas a um miliciano, empregou-lhe mãe e esposa, e ele agora é um dos principais suspeitos, membro do tal escritório do crime, que atua lá onde Queiroz se escondeu. Claro que brasileiro gosta mais de ouvir falar em corrupção do que em assassinato político, mas a verdade é que agora todo mundo quer um pedaço do Bozokid, que se sai com desculpas cada vez mais estapafúrdias. Em especial a Globo, que viu seus planos golpistas desviarem-se do rumo e sente-se ameaçada pelo Macedo. Mas o presidente vai tirar de letra essa, vai dar show em Davos, porque ele é um mito. Falou seis minutos. Cancelou compromissos, evitou a imprensa e foi visto almoçando num bandejão, sozinho. Um nobel de economia disse que Bozo dava medo e o Brasil merece mais. Os veículos que ainda querem sustentar a farsa terão muito trabalho. Tem gente apostando na queda em pouco tempo. Eu nem acho o Mourão um bom prospecto nem acho que uma deposição seria rápida e indolor, a menos que ele jogasse a toalha. Acho que ainda vem um bocado de circo pela frente. Acaba mundo.

Acaba Mundo CCXI

janeiro 21, 2019

Hoje são vinte e um de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Bozonazi já está na Suíça, evitando a imprensa, e um general é presidente da república novamente pela primeira vez desde Figueiredo. Queiroz se refugiou em área das milícias, Moro oficializou seu silêncio sobre o imbróglio e Bozokid F foi à tevê ser massageado por Boris Casoy. O mesmo F soltou um vídeo chorando e se limpando com uma bandeira. O Zema em Minas recebeu prefeitos com um batalhão de polícia. Tentativa de deposição abafada na Venezuela. França chama embaixador em Roma após comentários do Di Maio segundo os quais a França coloniza a África e piora a “crise de refugiados”. O embaixador alemão em Brasília, Georg Witschel, encontrou Mourão e cobrou esclarecimentos sobre as posições do novo governo sobre clima e direitos humanos. Para melhorar nossa imagem, governo solta vídeo com inglês de tradutor automático nas legendas. É, minha gente. Acaba mundo.

Segura Firme 6

janeiro 21, 2019

Nunca mais eu cheiro. Carlos deixava o atrevido passar, mas ele diminuía e queria sempre disputar um racha. Me salva, Jana, e eu não cheiro mais. Deixe de besteira, seu Fernando, ninguém vai morrer. Eu cheirei a tarde toda, Jana, com o Flávio. Segura aí, fica tranquilo. Havia um bar do lado esquerdo da estrada, de onde saía um ramal de terra que Carlos sabia que chegava na perimetral já bem perto do hospital, então ele deixou o rival passar e virou de forma abrupta. O outro motorista buzinou, seja celebrando vitória ou o que fosse, mas não se importou em dar meia-volta para prosseguir a perseguição. Cada desocupado, seu Fernando. Esse caminho aqui vai economizar tempo, vai dar tudo certo, reconfortava Jana ao amigo enquanto descobria como ligar a tração nas quatro. Foram por um trecho sem problema algum, mas depois de um cascalho grosso Carlos sentiu o carro puxando e parou para conferir: pneu furado. Puta merda, seu Fernando! Troca o pneu, Jana, eu estou um pouco melhor. O índio, forte, levou poucos minutos para pôr o estepe no lugar do dianteiro direito, mas quando estava terminando apareceu um carro vindo do lado da rodovia, e era a polícia. Desceram dois policiais, um tinha uma lanterna e o outro parecia empunhar um revólver.

O que está acontecendo aqui? Seu policial, meu amigo está tendo um ataque. Documento seu e do veículo. Abaixe os vidros. Ele pode falar? – disse o cana sobre Fernando, que se fazia de desacordado. Após Carlos sacudi-lo pedindo os documentos, que obviamente não trouxera, Fernando mudou de estratégia e começou a exagerar seu estado, simular falta de ar ou dizer que estava morrendo numa voz esgarçada. Ele vai morrer, policial, deixa a gente ir. Sua habilitação está vencida há dois meses, senhor Carlos. Cuide de renová-la. Eu não farei nada porque é uma emergência. Podem ir. Mas o colega dele não parecia satisfeito, e dirigiu-se a Fernando mesmo em meio a seu ataque: esse carro é seu, senhor? O moribundo fez que sim com a cabeça. E este senhor aqui é mesmo seu amigo? Fernando perdeu a calma: É, porra! Deixa a gente ir. Tudo bem, é só porque ligaram da portaria… Deixa isso de lado, atalhou o colega. Podem ir, vão logo.

Jaiwanã jogou o macaco e a chave de qualquer jeito e retomou o volante. Era um pedaço curto de estrada que faltava até o asfalto, e ele tentava manter alguma conversa com o doente para acompanhar sua condição. Fernando garantia que ia parar de cheirar, e que ia matar o porteiro, e Carlos repetia várias vezes que já estava muito perto. Parecia que o susto maior já havia passado, e a conversa foi ficando mais leve, um comentário sobre o pênalti perdido aqui, uma confissão de brochada ali, e nisso entraram pela perimetral, viraram aqui e ali, e em pouco tempo estavam no Santa Beatriz. Nunca mais, índio velho. E tem mais, minha esposa está certa, está na hora de ter filhos. Eu nunca quis ter filhos, eu nunca quis ir à Europa, eu nunca frequento os amigos dela, e tudo é pelo pó. Eu vou contar tudo a ela. Vou ter outra vida, Jana. Eu sempre disse pra ir devagar, seu Fernando. Nessa hora o paciente foi chamado, e recebeu lá mais uma repreensão moral do que medicamentos; não poupou o médico de sua promessa de redenção. Depois de liberado, assumiu o comando do utilitário-esporte ele mesmo, de samba-canção e descalço, enquanto Carlos, após um longo abraço apertado, entrou num táxi e voltou pra pensão. O índio teve uma ideia no caminho e resolveu trabalhar ao chegar, e de fato matou a charada do problema com o televisor da dona Guilhermina, no qual três gerações já assistiram novela. Depois dormiu finalmente. Fernando deixou o porteiro para outra hora, mas tentou eliminar os vestígios da noitada antes de desabar na cama. Em poucas horas a esposa voltará do interior e ele vai precisar se entender com sua “outra vida” e com seu “nunca mais”.

Acaba Mundo CCX

janeiro 20, 2019

Hoje são vinte de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Novas sobre Bozokid F seguem brotando, sempre pela Globo. Agora tem um título de um milhão pago por ele e nova estimativa da movimentação do Queiroz batendo em sete milhões. A percepção é que o novíssimo governo está no córner. Seus apoiadores brigam entre si, e parlamentares brandem seus preciosos votos em desafio ao governo. Eu mesmo já alertei contra a euforia, mas devo dizer que mordi a língua já que achei essa história de Queiroz não dava nada e Bozo estava blindado. Vai ver ele era um cavalão de Troia e mais nada, mesmo. Queiroz, aquele que fudeu o Bozo pá nóis. O sujeito tem dez mortes – registradas – como policial. Quando Bozo defende o crime de extermínio, não é só ideologia extrema, é afinidade com milicianos também. Mas também não me façam torcer pelo Mourão. O país está colapsado, vai ser uma sucessão de reviravoltas e um fluxo constante de arbitrariedades por mais um tempo ainda, ninguém se iluda. Acaba mundo.

Jactâncias adjacentes

janeiro 20, 2019

Ninguém supunha que o essencial das conchas se esvaísse nas jactâncias adjacentes. Veio como os coqueiros caminham, acumulando custos na algibeira do desvario, e agora é isso: cerceiam até os alicerces. Não acabou o menoscabo do cabível, e no entanto os truques ébrios tartamudeiam qualquer conceito que possam. Assassinar a aurora nem o vento pode, nem o último ornitorrinco vai usar relógio, então o melhor é praticar a jardinagem panteísta, talvez colecionar relâmpagos. Aqui a alegria do totemista tempera um tipo emprestado, e o fulcro do lucro tem permissão para posar para seu retrato. Tem comida que sabe mal, e tatus entre os almanaques. Quando parar de chover fogo as banalidades voltam ao ninho e as empilhadeiras jogam tênis. Dois mais dois.

Acaba Mundo CCIX

janeiro 19, 2019

Hoje são dezenove de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Foi só eu publicar a coluna de ontem e estourou mais uma do Bozokid F: cem mil em depósitos de dois em sua conta, típico de dinheiro sujo, denúncia no jornal nacional. Alvoroço na turminha da internet, cobram Moro, festejam e sapateiam. Aí o outro menciona cocaína e vão os moralistas de esquerda fazer outro carnaval. Sei não, o novo governo, ou o governo da “nova era” – que era linguajar de hippie nos meus tempos – está se desgastando rápido, mas não convém celebrar muito. Até porque se sair a pessoa segue a lógica daqueles que o usaram como cavalo de Troia. Membros da trupe bozonazista que foi à China fazem acordos por lá e alardeiam por whatsapp, bando de barnabés. As investigações da morte da Marielle e do Anderson aparentemente já chegou nos culpados mas não pode ser divulgada, aliás o próprio ministro admitiu. O executor parece ser um “caveira”, ex-policial do BOPE, e o mandante seria alguém nas milícias, mas há quem acredite em envolvimento do clã Bozonazi. Eu vou é cuidar da minha vida e tentar me afastar dessa algaravia. Acaba mundo.

Segura Firme 5

janeiro 19, 2019

Uma hora depois, as duas saíam no mesmo táxi, comentando sobre a performance ou falta de performance de seus clientes, Jennifer reclamava de chupar por dez minutos um pau que não sobe, e Tânia contava com um sorriso no rosto cada detalhe. Fernando, metido numa samba-canção e numa camiseta, cheirava pó na mesa de centro da sala quando Carlos, ainda na mesma roupa, declarou que ia embora. Como embora, Jana? Táxi? Besteira, eu levo você. Espera só um pouco. Esse pouco durou uma eternidade, em que Fernando ia lá fora, gritava absurdos contra a esposa, voltava, dava mais um tiro, queixava-se de taquicardia, garantia que estava tudo bem e repetia o processo. Carlos só ligou a televisão, pediu licença para assaltar a geladeira e esperou o quanto foi preciso. Aí se estirou no sofá e começou a cochilar, pensando ora na trepada com a morena, ora no trabalho que tinha pra entregar, desejando sua cama de pensão, e dormindo ali mesmo.

Acordou com os gritos de Fernando: Jana, me leva, Jana. Caralho, índio velho, me leva. Pega o carro, porra. Sabe dirigir, então me leva no Santa Beatriz, eu não tô bem. É sério, porra! Carlos ajudou o amigo até o banco do passageiro do utilitário-esporte e tomou o volante. Fazendo força para se habituar com o câmbio automático, conseguiu manobrar pra sair da garagem e guiar avenida acima. Não, seu idiota, veio débil a voz do paciente, é descendo. Retorno feito, e direções adequadas fornecidas, chegam à portaria, e à medida que desaceleram, Carlos olha Fernando nos olhos: segura firme, vai dar tudo certo. A cancela foi aberta pelo porteiro de forma um tanto automática ao ver o carro, mas quando ele percebeu que era o índio que dirigia, e não seu Fernando, achou um tanto estranho. Carlos pisou firme enquanto estavam na rodovia, quase deserta àquela hora. Quase, porque um compacto todo modificado surgiu à frente, e invadiu a faixa na hora de ser ultrapassado, em atitude de provocação. Nosso índio buzinou instintivamente, e após conseguir passar o atrevido percebeu que havia entrado num duelo. Segura firme, seu Fernando! Eita lasqueira!

Acaba Mundo CCVIII

janeiro 18, 2019

Hoje são dezoito de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Bozonazi I divulgou dados do BNDES disponíveis a qualquer um como se fosse parte de sua devassa, talvez para desviar atenção da confusão do filho e acobertar a entrega do pré-sal (que ninguém liga mais). Acaba parecendo um chamado às armas para seguir insistindo no petê, mas acho que um bocado do apoio a ele já foi abalado. Nada a celebrar, no entanto. Olavo critica delegação bozonazista à China, que quer processar e estão de mal. O imbecil do INEP parece que vei cair. Mourão duvida da capacidade de Araújo e o Helenão adverte o comandante contra os filhos. O Bozokid E, digamos assim, não tem cargo algum mas participa de reuniões oficiais na condição de príncipe. Esse sujeito não usa meias palavras quanto ao intuito de criminalizar o petê e o petismo. Essa pedra pode ser lançada nem que seja só pra sequestrar a pauta, fazer mais espuma. Vamos ver, não dá pra ficar muito feliz com a debilidade do Nazi, apostar que ele cai, como se fosse só continuação da gincana. Acaba mundo. Em tempo, a foto da delegação bozonazista com os ícones “comunistas” é uma montagem.

Acaba Mundo CCVII

janeiro 17, 2019

Hoje são dezessete de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. O bafafá do dia é a decisão do Fucks em favor do Bozokid interrompendo as investigações sobre o passista Queiroz, invocando um foro privilegiado antecipado… de alguém que não é o investigado. Pode-se até avaliar que ele se enfraquece, passa recibo, ou ficaria melhor na primeira instância, meu comentário é outra notícia: estamos oficialmente no rol de países autocráticos. Decisão do Toffee autoriza venda facilitada de ativos da Petrobras, incluindo jazidas de petróleo. Na verdade Temer autorizou, Mello melou e deu-se um jeito de desmelar agora. Desmonte do país costumava ser uma expressão metafórica. Uma comissão do partido do presimento que promete perseguir comunista vai à China conhecer a tecnologia de reconhecimento facial. Brasil, a vanguarda da distopia. Acaba mundo.

Acaba Mundo CCVI

janeiro 17, 2019

Hoje são dezessete de janeiro de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Hoje reencontrei o Carlos e a Kátia da Big Papa Records. Comprei uma caixa do Zappa, bootlegzona, tour eighty-eight, que preciso ter a porra da agulha pra ouvir ainda. O Carlos discotecou num bar e o choque passou na frente, protestos contra aumento de tarifa. O tal do Oxiuro Lorenzoni igualou o risco de uma arma ao de um liquidificador. Make juice, not war. O decreto bozoliniano vai ajudar quem tem problema com a justiça, e só vai renovar daqui a dez anos, quem dirá se é deliberação ou incúria. Moro decreta que “estatística é complicado”, e agora parece que o próprio artigo usado como fundamentação pelo nazismo bananeiro aponta na verdade a correlação entre armas e mortes. A turma do fundão do sexto ano tomou a diretoria, e vamos ver até onde vai. Eu vou tratar da minha candidatura na UPorto, que já protelei demais, até. Antes que acabe o mundo por aqui.