Contornar as bigornas

maio 19, 2019

Quando ainda era tempo de contornar as bigornas, podia até ser que a selva salivasse, que os campos magnéticos mugissem. Agora é inevitável o biscoito, e já nem a relva releva os laços nem as alucinações fazem um lanche. Só fragmentos de lustre avalizam o cuspe, e o último que consultou o portão foi pasteurizado pela letargia. Então, né. Eu não me oponho às ostras, eu só penso que antes que se empacotem os lapsos não adianta lamber a distância. O monstro morreu engasgado, e agora vai chover pistache. Melhor preparar o despropósito, alentar as focas antes que a fricção fracasse. Aproveita e passa no espaço, assovia a sálvia. Só assim se põe em prática o plano cartesiano. É preciso apedrejar as couves, mas sem arrastar a surdina. Nem o asfalto é plausível.

No limiar do limo

maio 16, 2019

Quisera não triturar o grotesco mais gritante, mas o fagote tateia ante o trato e a cortesia agoniza no limiar do limo. Nem ninguém consultou o frango, que ao menos coloriu as dúvidas, enquanto as pupilas supunham o truque. Foi de chofre, como enxofre fedido, que o súbito sucumbiu à súcia e apascentou tertúlias, de modo que a urgência das botas não poderia resgatar vassouras vingativas. Não é preciso galvanizar os gatos para provar a porfia das taturanas, isso seria até fônico se não fosse fático. Depois vão dizer que o ralo arrasta o rústico, confabula com o cábula, mas não, é o matiz do mato que tolera o totem. O paralelepípedo para, lépido, lapida o prado, patenteia os tontos, como se a manhã acordasse atrasada ou os meridianos se amotinassem. Se as convenções não se confessarem vai ser preciso sair para comprar cigarros.

Premiar a pólvora

maio 10, 2019

Eu não entendo por que os cogumelos devam premiar a pólvora. Ou a cozinha antecipar a tulipa deste lado do trigo. Não bastava ferver os consensos, determinar a fuligem, sem necessariamente desbastar as pelúcias? Deixa estar. O pato é patente, persegue o azougue com alacridade, sem chancelar o sonífero aduaneiro. Deve ter sobrado astúcia no inusitado, sempre se pode comemorar o dúbio, então cabe um cabide ao alcaide. É a cálida cúria que o alcaloide acalenta, pode repetir, Um barato tipo o porre da escrivaninha, destinado a competir com o lume, até porque os planetas não tiram férias e mesmo os melhores pires permeiam a pilastra. Que a placenta permita, e que nem a falta de farinha cuspa caspa sobre os axiomas, de modo a higienizar os receios, não desta vez.

O mesmo miasma

maio 2, 2019

Sempre que a gruta aterrissa é o mesmo miasma. Até o mistério pediu um copo d’água. A probabilidade de que o sorriso arranhe é compatível com a deturpação dos armazéns galáticos. Tava na cara. E na coroa, e no acorde. E fede a falácia, e festeja a fístula, como pode. Um misto de mamão e música amamenta o crepúsculo com signos. Nuvens. O retrospecto do pardal é o corolário do limbo. Puseram pedágio nos sonhos e falsificaram uma bota velha por nada, as tubulações continuam iridescentes. Agora dizem que afagando as pirâmides o coração destilaria o frasco, duvido. Já passou da hora de celebrar os girinos, enquanto seu lobo não vem, provocar pororocas, hipóteses pélvicas, e sobretudo degustar o sentido. Nada melhor do que destrinchar a chapada.

Cheio de anchovas

abril 22, 2019

O tropeço dos equinócios, envaidecido com a mais recente prestação de contas, anda balbuciando flâmulas, cheio de anchovas. Tampouco o censo das mortadelas concêntricas permitiu a implantação do inefável, ou deu alívio ao cachorro, uma vez que persiste o passo assustado dos sólidos. Agora há que se virar com um axioma ou dois por mês, submeter os dentes ao martírio do mundo, confessar as leis da física e quem sabe mesmo deslizar pelo alpendre antes do fim da tarde e questionar o questionário. Que adianta, então, testar a tarântula, cometer o sofá ou dissolver o óbvio? Vale mais escrever à escrivaninha, saudar as dívidas, e permanecer na incerteza. Cuidado com a cabeça no caminho. Até alguém trocar as pilhas da hipoteca, tudo que a bananeira sugerir o relâmpago abraça. Que espécie de espécie.

Trégua com as traças

abril 3, 2019

O alface, alquebrado, deseja a trégua com as traças. Mesmo com outras calças, as identidades intercontinentais, em especial as que acordaram cedo, continuam florindo nas regiões abissais. Isso me deixa tranquilo. Um passo à frente e a pluralidade de préstimos pode quase adocicar as hortências, como mágica. A realidade vai à praia enquanto a ortografia viceja, e nem mesmo os palácios, que comem as reflexões com batatinhas, se prestam a arejar os realejos, nem que fosse para cuidar do cachorro, entende? A cada um cabe sua roupa de baixo, já disse a tempestade, e naquele tempo nem a sensatez contratava bárbaros nem a concorrência gelatinosa entre o balde e o totem havia interpretado as definições erradas sem se dar conta. Por isso o jiló não retrocede, toda sua contribuição se reverte em pasmo, todo o lixo orgânico em contrastes. E quem disser que a ferida fantasia, que as tangentes do lírico ofuscam a fecundidade das pausas, pode pegar a regra e catalogar subterfúgios sem medo, porque o sentido se nutre do senso como se amanhã não houvesse. Valha-me Zeus.

Tudo às custas do Cosme

abril 2, 2019

Não importa quantos hidrantes pleiteiem o bálsamo, nem se os tendões das correspondências passam ao largo da contumélia, mas é bom que se diga que a fúria das castanhas se consome na picardia da faixa de pedestres, ou seja, aquilo que os invertebrados propuseram é levado ao forno com requintes de grosseria; e tudo às custas do Cosme. Não é nem questão de dividir o pudim com a arquitetura do desassossego, ou pintar de carne as incertezas do fusca, o mais importante é convocar as gramíneas, mesmo as que a purpurina confisca, e retraçar o susto enquanto o futuro não acorda. As janelas testemunham, de uma vez por todas, a insipidez do código, que tanta gente translúcida já fomentou. O rabo comendo o cachorro e a discrepância entre bolha e trave permanece como um dos ardis da primavera. Era vento. Desculpa se eu não arregimentei os alicates, era quarta-feira e o sinal estava implícito, ali onde a imperfeição coça os olhos, sabe? Difícil comparecer ao nulo para além da complacência devida.

O colapso dos feltros

abril 2, 2019

E vocês acham que a esquina abriria mão do colapso dos feltros pelo preço de um fóton interveniente? E passar ao largo do lago, largar a lagartixa, sem mais nem menos, através do quase? Melhor apostar na apostasia do hipopótamo, no sumiço do cosmo ou na constituição das fases, pois é certo que qualquer que seja o quociente das setas a situação apascenta o desconcerto da fibras. O céu já não dá conta de se misturar com surdos, tá de um jeito que as correias refugam a régua, e a galeria pensa duas vezes antes de calafetar a clareira. Eu já dizia. Eu trouxe até aquele estojo cheio de inquietudes, ajuda a dissolver a prática, ou pelo menos coloniza os fitos, e ninguém vai dizer que a vespa anseia pela véspera. Nem precisa força: é questão de costume evitar o cascalho e diluir as ventas. Nem ao contrário nem de ponta cabeça. É isso mesmo.

Acaba Mundo CCLXVII

março 23, 2019

Hoje são vinte e dois de março de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. E o Acaba Mundo deixou buraco pela primeira vez; estou sem internet em casa ainda e me aborrecendo, como era de esperar, com a prestadora do serviço. Prenderam o Temer. Preventivamente. Quando ele estava na cadeira e tinha sua utilidade, nada grudava, agora é jogado aos leões para movimentar o espetáculo da farsa jato. Quer saber, foda-se toda essa baboseira; está para além do meu alcance, e mesmo meus comentários por aqui não vão impactar nada. O país está regredindo em termos institucionais, não progredindo, com esse suposto combate à corrupção, e não há melhora no horizonte. Como também não há muita esperança de meu trabalho ser valorizado, muito embora tenham andado visitando meu Hamlet, o que já me deixa feliz. Acaba mundo.

Acaba Mundo CCLXVI

março 18, 2019

Hoje são dezoito de março de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Bozonazi está na metrópole. Guedes apela ao fato de que o presimento “adora coca-cola e disneilândia”, garante que o patrão tem “colhões”, e chama todos para a farra do pré-sal; Bozo, Sarraceno e Bozokid E visitam a CIA, lá onde o Sarraceno foi treinado para sabotar o próprio país, lá onde, conforme os vazamentos do Assange, nós éramos o país mais espionado pouco antes do golpe, em especial a Petrobras, aliás. Eu disse que estava sendo bom não me informar, pois entro na internet e leio sobre um menino de doze anos baleado, algemado e morto pela polícia do Rio. Bozonazistas agora elegeram o STF como inimigo, chamam manifestações, e eu sinceramente não sei dizer se há um plano de estabelecer uma autocracia (Bozo não tem o perfil, é preposto da milicada), ou se querem apenas reavivar o fervor dos seguidores após seguidos desgastes, ou o que. Tudo que me preocupa agora é o que me atinge diretamente, minha bolsinha de doutorado da Capes, que já começa ameaçada de ser cortada a qualquer momento. Acaba mundo.