Acaba Mundo XXII

julho 22, 2018

tristram

Hoje são vinte e dois de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. E a literatura, será que acabou? Escapa de acabar? Em tempos de distopia tecnoneofascista? Vai sobreviver como a excentricidade de meia dúzia de excêntricos? Que se dane no fim, mas por enquanto queria recomendar ao eventual leitor das maltraçadas um romance extraordinário. Mesmo, não é só muito melhor que a média, é uma experiência totalmente fora do corriqueiro. Mas antes que eu diga o nome de autor e obra, eu preciso contar sobre meu Tio Tobias, quando ele morava conosco no interior. Tobias criava galinhas, aliás, tem uma história ótima com as galinhas do Tio Tobias, naquele dia em que ele comprou o relógio. Eu preciso falar sobre esse relógio antes de falar sobre as galinhas, pois não se trata de qualquer relógio, porque foi comprado com o prêmio de uma loteria. Aliás, essa loteria… Pois dessa maneira mal imitada o narrador do romance vai deixando o leitor sem chão, mas sempre ávido pelo que vem adiante, mesmo sabendo que as expectativas criadas são sempre frustradas, mas divertindo-se tanto no trajeto que é difícil pôr o livro de lado. O romance usa técnicas inusitadas como deslocar capítulos inteiros para outra parte do livro, e recursos gráficos muito adiante de seu tempo. Trata-se de The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, do inglês/irlandês Laurence Stern, que escreveu no século XVIII. Aponta-se sua influência sobre Machado no Brás Cubas. Quem tiver a chance deveria ler logo. Antes que acabe o mundo.

Acaba Mundo XXI

julho 21, 2018

janaina_paschoal_2

Hoje são vinte e um de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Hoje eu queria tirar uns minutos para atacar e defender a tal da Academia. Atacar naquilo que ela se perde e naquilo em que é mesquinha, defender pois sua mera existência como a entendemos está ameaçada pela avalanche neoliberal privatista. A Universidade como projeto é um dos principais adventos da civilização ocidental. Na prática, elas são instituições de ensino, onde se faz também pesquisa, mas o objetivo de pensar a sociedade com uma perspectiva prática, interagir com o lado de fora do muro, quase nunca se cumpre: funcionam num mundo à parte. Não apenas, como todo microcosmo, a universidade e seus departamentos está sujeita aos joguinhos, disputas e sabotagens que parecem às vezes importar mais do que o tema em debate. Ainda assim, com todos seus defeitos, a academia financiada pelo Estado é uma ferramenta de transformação, e uma das coisas mais positivas no tempo do PT foi a construções de novas universidades no interior. O orçamento já vem caindo e muitas são as sinalizações de que o desmonte tende a se aprofundar, à medida que capital estrangeiro investe no ensino privado. É sintomático de um país sendo sabotado. E eu apostando minhas fichas justo na carreira acadêmica, eu devo ser louco. Agora anunciam a Janaína Paschoal como vice do Bolsonaro. É a mesma professora de Direito da conceituada Largo de São Francisco que ficou famosa pelo pedido de impeachment e pela performance alucinada girando uma bandeira ainda na escalada do golpe. Por mim o mundo podia acabar no dia das eleições.

Acaba Mundo XX

julho 20, 2018

morador

Hoje são vinte de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Hoje eu me sinto ridículo após o texto de ontem. Tanto por pontificar quanto por percorrer as ruas e ver tanta gente enfrentando a barra da crise na pele, enquanto eu encho a boca bem alimentada para falar sobre normalidade democrática. É claro que uma preocupação não elimina a outra, que se trata de uma falácia, mas sei lá. Com ou sem culpa, fica aquela sensação de que se forma a tempestade perfeita, local e globalmente, e naturalmente quando ela cair vamos olhar para trás e sentir falta daqueles tempos relativamente normais. Hoje no Brasil você pode descobrir que a CNI não tem medo de Bolsonaro (soa familiar?), que uma professora defensora do direito ao aborto seguro precisa fugir de perseguições, e ainda que o tal centrão (que inclui a antiga Arena, nada menos) fechou com Alckmin fazendo Ciro abanar o rabinho pro Lula, e depois de considerar sua prisão absolutamente normal já diz que “não haverá paz” enquanto ela durar. Vamos ver no que dá isso. Alckmin não decola, a elite já aporta em Bolsonaro, mas ele não consegue vencer um segundo turno contra um alfinete. Se um indicado por Lula vencer, é mais um golpe em cima. Pouco motivo para otimismo e para crença na resolução razoável e institucional da meleca toda. Mas nem é meu intento fazer desta plataforma uma cantilena a mais sobre política, preciso diversificar o conteúdo. Vou fazer uma resenha de alguma coisa. Se o mundo não acabar.

Acaba Mundo XIX

julho 19, 2018

finger

Hoje são dezenove de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Ai que preguiça, diria o herói sem nenhum caráter. Eu falo do Macunaíma, não do Moro, alguém que não entendeu a ironia do epíteto. Desanima, sabe? Moro está sendo Moro, o teleguiado o DoJ para praticar lawfare por aqui, o mau sendo mau (e mesmo a idolatria a ele esboroa, mostrariam as pesquisas se as houvesse). O problema é ver a população apatetada, trocando tapas em brigas comezinhas, mesmo que por causas mais do que justas, passionalmente pedindo condenação, absolvição, canonização ou suplício, baseando-se quase sempre em nada mais do que suas preferências pessoais. Mesmo estando “certos” em cada disputa, estamos “errados” de nos perder na superfície de uma sucessão de pequenas e grandes polêmicas. A direita deita e rola, porque a cortina de fumaça nem é preciso produzir, já que se produz a si mesma com sobras. Aos que se dizem esquerdistas, qual é o ponto central de todo esse processo, senão a ruptura democrática? Se é uma guerra de narrativas, à medida em que o poder dos golpistas em fabricar a realidade tem se enfraquecido, caberia aos partidários da tese de golpe alienar o mínimo de pessoas, formar pontes com quem não era apoiador do PT, talvez tenha até entrado na ciranda de ódio, mas hoje começa a perceber o que está acontecendo. O que vemos nas redes vindo de petistas são piadinhas sobre coxinhas arrependidos, dedos apontados pras falcatruas tucana, escárnio sobre o Psol, que denunciou o golpe ab ovo, e um misto ódio, troça e medo em relação a Bolsonaro. E isso circula numa bolha, prega-se para os convertidos. O PT, que já em 2016 mostrou seu costumeiro “pragmatismo” aliando-se nas municipais aos algozes com a ferida fresca, está claramente apostando tudo na candidatura do Lula, por meio das mesmas ilibadas e confiáveis instituições. É um desserviço, nem que seja porque o aparato estatal brasileiro hoje, sequestrado pelo bom e velho Tio Sam, tem por principal objetivo impedir a volta de Lula, ou seja, o fracasso por esse caminho é certo. Lula é gigante sim, mas o país é maior, vai continuar aí depois que Lula passar para aquilo que chamam de “melhor”. Há que se lutar por ele em paralelo com uma conscientização mais ampla, e é essa que não ocorre. Perde-se a chance de informar o público e explicitar o mecanismo do golpe, dizer a todos: não é Lula, é classe. E o episódio do HC abortivo, então? Resolveram agora idolatrar o “corajoso” desembargador Favreto. Isso é quase tão errado quanto persegui-lo, o que o judiciário já está fazendo, sinalizando que toda decisão pro Lula será punida. E segue a fulanização da conversa, do grande-líder-grande-inimigo, passando pelos onze bobalhões do Supremo (Cármen celebrava serem mais conhecidos que a seleção de futebol), até o mais recente youtuber ou influenciador de internet que falou algo absolutamente inaceitável. Protestos? Só na PF de Curitiba, e se estão de parabéns por resistir, também é verdade que estão dedicados de corpo e alma à figura do Lula e apenas.

Acaba Mundo XVIII

julho 17, 2018

1984EmmanuelGoldstein

Hoje são dezoito de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Mas acontece um tanto de coisa que é o fim do mundo. Em Palmas, um vereador mandou mudar o nome da Creche Arco-Íris por achar que promoveria a homossexualidade. O tal do Escola sem Partido foi aprovado em algumas cidades, um estado, e corre o risco de se tornar nacional. E segue o barco. Ontem falei que não entendia o elo de Trump com a Rússia. Pois vi um documentário holandês e agora está claro que as relações dele com a máfia russa são antigas. Como ele chegou lá é um fenômeno interessante, não muito diferente de Hitler antes dele, é claro. O clima dos últimos dias aponta uma destituição em breve. Voltando ao Brasil, vou pôr duas questões e tentar responder. É fascismo? É ditadura? Definir o fascismo sempre foi difícil, e não contribui para a análise a banalização do termo, a qual Orwell já indicava. Mas se considerarmos que se tratou de uma reação conservadora passional, instigada pela elite, inimiga do comunismo, com um apelo belicoso e anti-intelectual, tudo isso acontece aqui, e aparentemente no mundo. É o que explica o Trump. A crise de 1929 levou ao original, e a de 2008 ao Fascismo 2.0, é simples. Então sim, vivemos numa espécie diferente de fascismo, uma que lembra muito aquela de 1984, em que há uma figura de arqui-inimigo, Lula-Goldstein, mas não há um grande líder, o Grande Irmão sendo uma entidade difusa. Isso já é meia resposta para a segunda pergunta, mas é preciso dizer que após ruptura democrática estamos sempre em uma ditadura. Eu por um tempo costumava me despedir com “abaixo a ditadura”, logo na época do golpe, mas vi que ia conseguir no máximo a fama de excêntrico. É para ter o poder e dele abusar que se dá golpe. Hoje as instituições brasileiras funcionam no regime de pós-verdade, e quando todo tipo de arbitrariedade é esperável do próprio aparato legal o nome disso é ditadura. Estão muito tímidos esses opositores do golpe que não empregam esta palavra com todas suas letras e implicações.

Torturando Timon

julho 17, 2018

timon

TIMON Lucílio, meu bom criado, há anos conto com teus bons préstimos…

LUCÍLIO Não faço empréstimo nenhum.

TIMON Como, Lucílio?

LUCÍLIO Todo mundo já sabe que o senhor está quebrado.

TIMON Lucílio, mais respeito, eu estou numa dificuldade momentânea apenas…

LUCÍLIO Tá bom, seu Timon, acredite no que quiser, seu Flávio tentou avisar o senhor, e eu estava mesmo esperando o dia em que sua gastança ia levá-lo à ruína.

TIMON Mas Lucílio, você recebeu meu dinheiro de bom grado, não? Contou com minha ajuda junto ao pai da moça, até um “dote” você recebeu. É assim que me trata?

LUCÍLIO Assim como foi falta de bom senso sua gastar, seria falta de bom senso minha recusar.

TIMON Seu impertinente. Depois falamos disso, eu tenho um trabalho para você.

LUCÍLIO Eu me demito.

TIMON Como?!

LUCÍLIO Com os dois dotes eu posso começar algo meu.

TIMON E sua lealdade, onde fica?

LUCÍLIO Na minha bolsa.

TIMON Pois então eu procuro o pai dela e invento todo tipo de vileza sobre você.

LUCÍLIO Depois de consumado o casamento, que pode ele fazer?

TIMON Então eu procuro a ela.

LUCÍLIO Qual é esse trabalho, afinal? É o último, por consideração ao senhor.

TIMON Ufff. Você vai até a casa do senhor Ventídio…

LUCÍLIO Ih…

TIMON Diga a ele que alguns compromissos afetaram minha liquidez…

LUCÍLIO Isso todo mundo já sabe.

TIMON Peça a ele o obséquio de me conceder, por um mês apenas, a soma de quinhentos dracmas…

LUCÍLIO Seu Timon, com todo respeito. De todas as encrencas em que o senhor poderia me meter, esta é a mais desagradável. Seu crédito na cidade virou fumaça, patrão. Digo, ex-patrão.

TIMON Mas eu o salvei da prisão, e por dívida. Ele vai me ver afundar agora que ficou rico, e eu pobre?

LUCÍLIO É o que eu digo.

TIMON Besteira, vá. Ventídio é um homem honesto. Se bem que eu já disse isso sobre você, pequeno traidor.

LUCÍLIO Mais respeito, o senhor quer que eu realize a última tarefa ou não?

TIMON Sim, eu quero, Lucílio. Você é minha última esperança. Ele é. Vocês são. Vá.

***

VENTÍDIO Ora, meu bom Lucílio!

LUCÍLIO Bom dia ao senhor Ventídio.

VENTÍDIO A que devo esta honra?

LUCÍLIO Meu senhor, Timon, pediu que enviasse suas considerações.

VENTÍDIO Fico muito honrado, diga a ele que assim que não estiver muito atarefado, faço-lhe uma visita sem falta. Como vai a esposa?

LUCÍLIO Vai bem, senhor, obrigado.

VENTÍDIO Então ótimo, eu preciso, perdoe a franqueza, prosseguir…

LUCÍLIO Meu patrão mandou também dizer…

VENTÍDIO Sim.

LUCÍLIO Que compromissos afetaram sua liquidez.

VENTÍDIO Diga a ele que é uma lástima e me parte o coração.

LUCÍLIO Ele me pediu que requisitasse ao senhor conceder-lhe, só por um mês, a quantia…

VENTÍDIO Eu não posso de forma alguma no momento. Diga a ele investi em um navio que parte para Trípoli e infelizmente não será possível. Em ocasião oportuna, emprestaria certamente.

LUCÍLIO Ele salvou o senhor da prisão.

VENTÍDIO Meu bom Lucílio, preciso agora, não se ofenda, retomar minhas…

LUCÍLIO O senhor não quer que todos saibam que envenenou o pai pela herança, quer?

VENTÍDIO Ora, seu…

LUCÍLIO Quinhentos dracmas.

VENTÍDIO Aguarde um instante.

LUCÍLIO Agora eu pego minha esposa bonita e embarco hoje ainda pra Sicília. Esses dois que se entendam como quiserem.

***

Acaba Mundo XVII

julho 17, 2018

trump putin tweets main getty

Hoje são dezessete de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Mas vai acabar pelas mãos de Donald Trump mais cedo ou mais tarde. Ontem ele se encontrou com Putin. Eu mesmo nunca entendi essa história de interferência da Rússia nas eleições americana. Não desce. Será o Trump um saboteur a mando de Putin? Depois de ontem, parece até crível. O crível já não precisa ser verossímil. Os americanos estão possessos, classificando de alta traição o voto de confiança que Trump deu a Putin, que desacreditou seus próprios órgão de inteligência. Em tese, um presidente americano buscar laços com a Rússia é muito positivo. Mas a história toda soa estranha. Tropas americanas não estavam se acumulando na fronteira russa outro dia mesmo? Acho que ninguém explicou Trump o suficiente, e não sei se alguma revelação um dia vai esclarecer tudo. De qualquer forma, mesmo tendo a Rússia feito parte da guerra cibernética para influenciar a votação, há que se considerar que ele teve um número expressivo de eleitores (menor que a oponente, verdade), e o que se deve investigar é a psicologia envolvida que faz os cansados do velho sistema o rejeitem por algo pior, desde que isso lhes dê a sensação de “reagir”. Acho que já dei meu palpite. Talvez esta seja apenas a inevitável fase de decadência que acomete todo império. Agora, se esse império vai desmoronar sem lançar mão de sua potência bélica é matéria de conjectura. O temido confronto com a Rússia, estará superado? Dificilmente. A China está se afirmando e há tensões em suas águas territoriais. A Europa está atordoada tentando se agarrar à “parceria” antiga com o outro lado do Atlântico, mas suas próprias questões, como o Brexit, a insolúvel crise migratória, e o fascismo se espalhando, deixam-na em constante risco de fragmentação e mesmo da volta de conflitos dentro do continente. De volta aos EUA, há grande chance de Trump ser defenestrado se pisar muito fora da linha, mas Trump não é sozinho o problema: parte expressiva da população se brutalizou a ponto de esposar abertamente o racismo, e de modo geral a sociedade deles está claramente doente, com epidemias de suicídio e consumo de opiáceos. Sabe-se lá onde dá isso. Por ora só podemos torcer para que o mundo não acabe. Ou para que acabe logo, fica a seu critério.

Acaba Mundo XVI

julho 16, 2018

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Hoje são dezesseis de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Quer dizer, acabou de certa forma, já que a vida na Terra se tornou insuportável de tantas maneiras. Não bastasse o aquecimento global, a luta pelos recursos escassos levou a um governo global totalitário como nunca se vira. Eu tive a sorte de ser incluído na missão de colonização de Titã, e aqui ajudo no que posso e tento cultivar uma horta. As crianças já se acostumaram. Nos meus últimos dias no meu próprio planeta, eu sofri a perseguição da Governança Global, e é por isso que esta nova vida, ainda que difícil, é para mim um alívio. Quando na Terra, eu cheguei a ser governante, e tentei promover mudanças e ajudar os mais sofridos. Mas ficou claro que a Governança Global não quer o bem estar da população, afinal aquele que está desesperado pela sobrevivência nunca questiona nada. E deu-se que minha sucessora, indicação minha, foi derrubada por uma manobra e eu mesmo passei a ser perseguido judicialmente para que não concorresse novamente. Eu vi as instituições criadas para promover justiça agindo em concerto para promover uma injustiça, o ordenamento jurídico global virar farrapos. Recebo notícias da Terra. Meu amigo disse que estão jogando futebol. Que bom. Espero que a Terra possa ter dias mais tranquilos. Por enquanto é construir a vida em Titã e torcer para que não nos atinja nenhum meteoro.

Acaba Mundo XV

julho 15, 2018

copa

Hoje são quinze de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. Estou gostando cada vez mais desta série. Ela responde a um incômodo que eu sentia, uma vez que no passado a Leosfera teve uma fase de comentários políticos, e agora que o circo pega fogo eu não dava mais pitacos. Como se pitaco estivesse em falta no mercado, mas vá lá, se eu conseguir completar o ciclo de 365 paragrafinhos como este, estarei deixando um testemunho destes tempos insanos através de olhos ainda mais insanos. Meu legado ao oblívio. E sim, hoje se decidiu a copa, então aproveito para dedicar algumas linhas ao evento como um todo, antes de deixar isso pra trás de vez. Antes de mais nada, fantástico uma final com seis gols. A França de Mbabbé mereceu  pela campanha toda, pela fibra desses rapazes em sua maioria descendentes de imigrantes africanos, e a Croácia de Modric deve sair satisfeita pela bela campanha e pela final inédita. A Bélgica de Hazard também foi bem com seu terceiro, igualmente a melhor campanha deles. A copa por um lado teve poucas jogadas bonitas, mas por outro teve apenas um zero a zero e alguns jogos foram emocionantes. Nesta copa, a Argentina estava desmanchando, e Messi confirmou sua fama de só jogar bem no clube. O Uruguai jogou muito, com Cavani e Suárez, e o Muslera, que foi recebido com festa mesmo após o frango. O irritante futebol inglês chegou até onde pôde, mesmo com o artilheiro “hurricane”. A Alemanha foi motivo mundial de piada caindo na primeira fase, e em último no grupo. O Brasil não tinha um time tão bom quanto pensava e ainda não superou essa história de depender de atuações brilhantes de uma estrela. Precisa haver humildade e levar a teoria a sério. Jogar por encantamento não existe mais. Neymar se destacou… por virar chacota com suas simulações. Coutinho jogou bem no início, depois sumiu, e o centro-avante Jesus não fez um único milagre. Fora isso, eu provavelmente só vou dar atenção a futebol daqui a quatro anos. A menos que… você sabe.

Acaba Mundo XIV

julho 14, 2018

richard

Hoje são quatorze de julho de dois mil e dezoito e o mundo não acabou. A copa também não acabou, mas acaba amanhã. Hoje a Bélgica garantiu um honroso terceiro lugar. Trump é recebido com protestos em Londres. Coisas “inusitadas” seguem acontecendo no mal disfarçado estado de exceção brasileiro. Uma organização supostamente da “sociedade civil”, mas com vínculos apontados com gente boa como os irmãos Koch, peticiona à justiça eleitoral para anular o candidato favorito-preso em definitivo. E não sai nem uma nota sobre o que prevê a legislação a respeito, nem sobre o direito da entidade à petição nem sobre a pretendida punição antecipada. De arrancar os cabelos então é a nova investida da turma fascista do MPF-DoJ (Department of Justice, a PGR americana), capitaneada pelo insípido Dallagnol sempre ávido de holofotes, buscando agora não dez, mas setenta medidas contra a corrupção. A primeira tentativa já foi apontada como cerceamento do direito de defesa, imagina o que virá no novo pacote. O discurso da corrupção, sempre vago e com ênfase na moral, não na ética, suscita mais ira do que raciocínio no público desde sempre mantido no nível mais superficial dos fenômenos, o nível do debate de personalidades. E ficam todos completamente satisfeitos com a própria indignação difusa, ou canalizada convenientemente, como é a Lula e PT agora, celebrando o suposto civismo de sua própria ignorância. Políticos declarados de esquerda, que podiam perceber esse mecanismo e ir além, prosseguem a litania moralista e apontam dedos. Ainda piora antes de melhorar. Se melhorar. Vamos esperar para ver como se desenvolve essa falsa eleição, o calvário do Lula e a final da copa do mundo, que eu comento amanhã. Se o mundo não acabar.