O espanto do pinto

maio 25, 2020

A que ponto a tampa empata o tímpano, para o espanto do pinto! Nem a caçapa assopra impropérios nem a pochete achata tachos, e pra mim tudo bem. No começo do maço o açúcar acossa as sacadas, o defunto enfrenta trunfos, mas agora que a garoa grava vírgulas, o empecilho do soalho está alheio às bolhas. Pois seja. Se a soja agisse e o gesso sujasse o sigilo, talvez até o pateta topasse o pêssego, mas você sabe que o sabão sobeja a jujuba, e nem adianta antagonizar gazebos.

Adoçar docentes

maio 20, 2020

Que se há de ser feito se o afoito se afeiçoa ao fácil, e a tangerina gera girinos pro Jairo? Melhor falhar ralhando que colher colheres. Ainda mais quando o mister mistura o mastro com a mostra, é preciso siso a simular súmulas. Se o privilégio da lógica é congelar canjica, ninguém acuse o acaso de adoçar docentes. Até porque parcos porcos percolam incólumes, e o sacrifício do ofício é arrefecer fissuras. De um jeito ou de outro a trapezista histérica atura o touro, seria até o caso de dizer que a partilha atalha entulhos, que a conduta do tédio atinge longe. Precisava o vaso avisar o visgo.

Estacionar sinônimos

maio 13, 2020

Mesmo que indireta, a dentadura atira a tora às tiras, e já não basta que a paçoquinha amesquinhe o cânhamo pra que o condão dos condimentos condene o dínamo. É o estoque cáustico das cascatas que ajuda a digitar jatos e estacionar sinônimos. E por aí vai. O avalista atávico da vicunha conhece o cenho do sonho, então não é o caso dizer que as dezenas zunem, seria preciso mesmo o marasmo pra propor à páprica um princípio. Da mesma forma que a forma afirma o fármaco, a impavidez dos pavões avulta à volta da malta. É concomitante à menta.

Acarpetar os Cárpatos

maio 2, 2020

Para cada cadeado que o dado adia, apita um tapete tópico na pata tépida da lápide. Até tacapes pecam ao comprometer metrônomos, os melhores alhos calham de pilhar ampulhetas alhures, e o eterno turno encorpa os porcos pra acarpetar os Cárpatos. Praticamente uma prímula, a priori pristina, a competir com espátulas. Quem diria que dirimir miragens geraria gírias e juraria gerânios? Se nem a nêmesis almiscarada da drágea ajuda o gelo, e os sobrinhos dos sobrados já dobraram os brados, que resta ao rústico senão anotar tornados? Como se fora a tocha tachada de chata e chutasse setenta setas. Mesmo assim.

Tonéis atônitos

abril 30, 2020

Antes que a tundra atenda os tônicos, que a tontura tenra de tonéis atônitos sintonize túneis, atentemos ao tanto de tênis tonitruantes que transtornam a técnica da túnica típica. Não podemos articular cutículas cálidas sem privar as provas de praças, demitir a penúltima sílaba dos lábios biliosos do Líbano. Cumpre que compremos primores prévios, e ao menos que o manifesto afaste a fístula, já que a jaca acode o cadarço, o que enseja o jazigo gasoso a gozar da gaze, ou o zagueiro guisado a impedir o pêndulo, é o temor do artrópode que aprecia os protéticos, e o que resta da festa é afastar tarifas. Se ao menos o manso munisse o sono do sino.

Inclusive o Clóvis

abril 29, 2020

Para surpresa dos prazos, a tutela dos tálamos enlameia o miolo além dos limões malignos. Inclusive o Clóvis avalia as velas e aventa os pentes sempre que o pretexto atesta o pasto. E assim deve ser. O serviço viçoso do siso, no entanto, atinge o jantar do agente a ponto de pintar o tempero. Já se tentou até tatear a tarântula, o lixeiro mesmo acha o xaxim chocho, e nada, o danado do adendo coaduna com o dínamo. O que pertence à instância tensiona a insônia, é bem verdade, mas as mazelas alisam lousas sem a menor maneira. A esta altura a tora atura os títeres, e a tarimba do bário barateia os brotos. É claro que é cloro.

Apelar à polenta

abril 9, 2020

Não está claro se o cloro cliva a clava, até onde eu sei todos os morcegos de março são parceiros da parcimônia, mas mesmo assim, aquilo que acolhe a quilha amealha a palha, eu imagino. Deviam ao menos apalpar palpites, na esperança plácida da acidez decídua das cédulas, mas do jeito que o cajá age, parece que cabe à bacia assobiar bárbaros, e resta ao arrasto apalavrar larvas e apelar à polenta. Que coisa, não? Agora que o agouro aguarda o dardo antes de intuir a pintura, e às vezes até o vaso avisa a viseira de fato, fica difícil a desfaçatez disfarçar a força da sarça. Como se já não fosse o fosso afásico, como se o corrimão rimasse, mas tudo bem.

Adotar tortinhas

abril 7, 2020

Por mais que o mistério estoure, que a castanha estranha compita com os cômicos cósmicos, a salamandra andrógina segue aguando as gárgulas, e ainda não ferveu a fava que vai vetar o tártaro. Passou da hora de dourar diários e adotar tortinhas. Mesmo que seja a soja, ou o sujo, quem vai velar o louro e delirar alhures, o importante é que a capota apite, e o potente intento das tintas atenue o tato das taturanas. E assim se vai, esvaziando visgos e agastando gonzos, como se ali na esquina o equinócio assinasse sinos, e os baluartes balissem simétricos. Fazer o que?

Autorama 15

abril 2, 2020

Tá chegando o Balão do Trevo, tá perto. Você dá entrada logo nessa merda e volta pra casa com uma missão cumprida. Um dia de glória. E teve aquela festa à fantasia com o pessoal do francês, o maluco do Mohamed, o professor marroquino, a Didi e a Karina, que riam da minha cara quando eu queria beijar (am I here to amuse you?), eu sei que acordei no outro dia ainda bêbado e fui pro banco pra fingir que tava tudo bem e ver o porre se transformando em ressaca ao longo do dia. Nunca que vou ter meu valor reconhecido por esse heroísmo, enquanto o favorito do gerente ao menos uma vez pediu arrego de ressaca e foi liberado. Nunca me dei bem com chefe, com qualquer autoridade. A moça que trabalhava de graça todas as tardes, o que eu tive ao menos o prazer de jogar na cara dela que é antiético, e que enganava as faxineiras da Unicamp com título de capitalização, adivinha, virou gerente. Mas ainda assim foi uma bela experiência, um belo choque de realidade trabalhar no banco. E eu via um tanto de gatinha circular pela agência o dia todo (era a agência dentro do campus); só que quando eu as via nas festinhas depois eu obviamente não era ninguém pra elas. Só peguei uma cliente BB, uma colombiana, morena cacheada, grandona, super sem frescura, tanto até que eu cometi a delicadeza de convidá-la pra minha despedida ao mesmo tempo em que convidei a Thaís (que tinha eu na cabeça?) e ela só se despediu e foi embora. Um dia, eu já contava vinte e três translações, rolou um cogumelo; acho que foi o dia em que o André se perdeu do grupo e eu larguei ele pra trás, coitado, voltou pra casa na maior bad; no mesmo dia eu fui atrás da Teresa no Bar do Zé e ela me cortou; só sei que eu entrei no banco pra sacar dinheiro e tive uma epifania: como é que é? tem uma máquina de me dar dinheiro? Como eu sabia que ia ter concurso pro banco, foi tudo muito natural, me matriculei num cursinho (que não acrescentou muita coisa) e passei em primeiro lugar de Campinas. No vestibular eu passei em terceiro de Elétrica; eu sou a prova viva de que esse tipo de gente sempre mete os pés pelas mãos com a própria vida. Depois eu encontrei a Cecília, uma colega no cursinho, trabalhando na agência Barão; inventei mais um apaixonamento, mas nem no sabor de pizza a gente se entendia: fomos à Estação Santa Fé, onde eu gostava de um sabor com queijo cottage, o que pra ela era algo inadmissível, pizza é calabresa, a caipira, não teria dado certo nunca. Pronto, puxa a cordinha. Ali naquele morrote fica a Odery, onde eu encomendei minha bateria; povo ruim de jogo, preços sem sentido, eu caí foi no marketing deles; uma vez eu conheci uma mina que dizia que é uma bosta a batera deles, e ela me colocou no bolso na audição. Adoro mina batera, e ela era gata ainda. Pronto, até que enfim. Tem uma subidinha pra chegar lá, ou eu subo fumando ou eu fumo antes. Lá em São Paulo uma vez eu tava me matando pra subir a Rua do Paraíso e um sujeito passou por mim no dobro da velocidade e com um cigarro aceso, me senti um merda. Vou fumando. Foi lá em Porto Velho, na oitava série, que o Tuta, que já fazia aula da guitarra, me pôs a pilha de aprender batera, e fez o Bogó tocar baixo, pra gente tocar na formatura dali a poucos meses. Eu me matriculei na escolinha, era Ritmo e Som, algo assim, com o Túlio, ele andava com a cabeça enterrada nos ombros, ou pelo menos era essa a caricatura que a gente fazia dele, seguindo o método do Rubinho Barsotti xerocado. A casa do Cid Bozó (até a professora chamava ele assim) era nosso estúdio, a mãe dele, a dona Boza, era meio hippie, artista, e o ambiente era mais relaxado do que eu estava acostumado em casa (uma vez eu disse na frente da minha mãe que os pais do Bozó eram o máximo e ela ficou magoada). Nós ligávamos a guitarra num três-em-um velho e o som já saía distorcido, nem precisava de pedal, a bateria não tinha chimbau, era emprestada pelo Túlio, o professor, eu ia abrindo buracos na pele da caixa e metendo fita adesiva, foda-se. Eram quatro músicas nosso repertório, Smells Like Teen Spirit, Alive, Nothing Else Matters e Orgasmatron, e a banda foi batizada Parannoya Godzilla, mas no fim a gente se apresentou só como Parannoya, e esse é um dos maiores arrependimentos da minha vida. O Tuta, como a Érika, era de outro turno, e eu só passei a ser seu amigo na sétima, acho, mas eu sempre soube que ele existia, quando ele ainda era o Léo Brito, eu lembro claramente de quando a escola era na Vila da Eletronorte e eu perguntei se o sapato dele era impermeável, eu tava testando a palavra, sabe? O Cid apareceu já no fim do fundamental, parecia um homem pré-histórico, segue até hoje muito doido (e sou eu falando), e tinha umas ondas de violência, batia na irmã, maltratava o cachorro, e crescido foi demitido do BB esmurrando o gerente. Mas nunca matou ninguém sem motivo, também. Até a véspera da formatura nós não tínhamos equipamento; por sorte o pai de uma colega era político e emprestou o PA. A festa era no Yes Banana’s, a boate cujas matinées eu frequentei, tinha uma luminária mecanizada medonha, que a gente achava o máximo da modernidade. Eu imagino que a gente não fez tão mal, dadas as circunstâncias; eu não quis falar com meus pais quando eles vieram me cumprimentar, tal a carga de ressentimento; eu fui comunicar à Érika que a idolatrei toda minha infância e foi isso. Em Vitória eu fui fazer aula com grande Eric Bolha, que era parte do Pride, e eu conheci assim os outros membros, Galopeira, Fausto, Kiko Pilha e Marcelo Sepultura. Uma vez eu precisei segurar o cowbell pro Eric tocar We’re Not Gonna Take It no Camburi Clube. Num show do Pride na UFES eu acabei cedendo e experimentando um bequinho. Por alguns meses eu banquei o careta, mas fui amolecendo. Eu subia na mesa e pulava batendo os braços, fingindo que voava, e um tempo depois eu fui apelidado de Mosca. Eu cheguei em casa naquele dia e estuprei uma manga. Olha onde o velhinho fica plantado no meio de nada vendendo sorvete. Puta merda.Boa tarde, senhor. É sorvete que você tá vendendo?

Eu devia

março 26, 2020

Eu devia assistir ao Fantástico. Eu devia comprar um pijama. Eu devia declarar imposto de renda com antecedência. Eu devia voltar a me interessar por futebol. Eu devia me matricular numa academia. Eu devia fazer alinhamento no carro. Eu devia fazer parte do zape. Eu devia assinar o New York Times. Eu devia aprender ventriloquismo. Eu devia raspar a cabeça. Eu devia ter TV. A cabo. Eu devia levar um prato de comida ao porteiro. Eu devia ter um porteiro. Eu devia ter um canivete. Eu devia ter uma lanterna de LED. Eu devia ter vergonha na cara. Eu devia ter GPS no carro e Tinder no smartphone. Eu devia ter mulher e filho, ou um posto de gasolina. Eu devia ter cidadania europeia. Eu devia ser influenciador digital. Eu devia fundar um culto suicida. Eu devia buscar a iluminação, e não acho nem o interruptor. Eu devia ter um gato. Eu devia acreditar em Deus. Eu devia plantar uma horta. Eu devia ter um jogo de chave de fendas. Eu devia assinar Netflix. Eu devia ler mais, ver mais filmes. Eu devia ligar pra todos com quem eu briguei. Eu devia ser místico. Eu devia me manter em forma. Eu devia ter uma carteira de investimentos. Eu devia usar Linux. Eu devia fazer caridade. Eu devia ver filme dublado. Eu devia ser mais otimista. Eu devia.