Comprometer as premissas

junho 17, 2019

Olha, eu não quero comprometer as premissas, não quero galgar as gárgulas da Groenlândia em busca da basculante. Não se trata disso. A verdade é que a vacina vacila, não basta mais um teto e uma tríade para que as dissonâncias declinem da alegoria da lástima. E que ninguém se diga surpreso desde a última cartada do cacto, era apenas um metabólito do Líbano que dissuadia a desídia. E isso nem o açougueiro nem a prevalência dos âmbitos poderia fornecer. Nem a sisudez das cascatas seria vítima das vacas, já que o trampolim tripudia das tulipas em plena epístrofe. O que quero dizer é que as querelas custam, que a transparência dúbia das metamorfoses complicam os céticos que insistem com as condolências. Melhor seria elucubrar sobre o símbolo, destronar a dúvida que acarreta ratos, ou ao menos beber os bérberes antes que as suposições coagulem. Ninguém há de negar que a sutileza galvaniza as grutas.

Acaba Mundo CCLXX

junho 16, 2019

Hoje são dezesseis de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Eu mesmo acho que saturei de acompanhar a política, uma vez que além de lidar com o comportamento do governo há que se lidar com o comportamento da horda de comentadores nas “redes sociais” que tantas vezes já prometi abandonar. É uma gincana superficial, passional e narcisística. Por exemplo, algo que tem me irritado é atribuírem o fascismo e o fanatismo a doença mental. Lá estão os “desconstruídos” que se acham imunes a preconceitos perpetuando a mania de desmerecer com essa pecha; eu como louco me ofendo, mas mais do que isso, uma tal explicação exonera os fascistas, torna-os inimputáveis, e por fim fica evidente que falta clareza sobre os fenômenos. Bem, eu disse ontem que comentaria as manifestações de rua. No dia quinze de maio houve uma de esquerda focada nos cortes da educação (o ministro Weintrolha alegou “balbúrdia” nas universidades como motivação), o comparecimento foi massivo, mas a promessa de que a do dia trinta seria maior foi uma maldição, pois a segunda não vingou muito. Também a greve geral contra a reforma da previdência dia quatorze deste mês não foi um sucesso estrondoso – e houve dezenas de prisões arbitrárias. O mais preocupante foi ver o teor das manifestações pró-governo em vinte e seis de maio. Acuado com ameaças de impeachment, o Bozo chamou seu séquito às ruas, depois tentou se desvencilhar para não incorrer em crime de responsabilidade dado o teor autoritário dos atos, que investiram contra congresso e supremo – enquanto a imprensa tentava fazer crer que eram pró-reforma. Voltando ao presente, a votação da inconstitucionalidade da súmula do TRF4 que determina prisão automática em segunda instância (a que garantiu a prisão do presidente Lula), que estava marcada para este vinte e cinco, foi jogada para novembro pelo Cachorrinho de Milico, o patético Dias Toeffe. O general #Helenão andou pedindo perpétua para ele depois que Lula levantou a lebre da facada. Bozo, talvez ciumento das atenções sobre o Sarraceno, fritou Levy do BNDES e outro bagrinho em entrevista, rifou o gal. Santos Cruz (por se opor ao financiamento de blogueiros fascistas) e defendeu armar a população (leia-se paramilitares de direita) para “evitar golpe de estado”. Vamos adiante enquanto o mundo não acaba.

Acaba Mundo CCLXIX

junho 15, 2019

Hoje são quinze de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Bem, ontem eu apenas mencionei as revelações da #VazaJato, sem me aprofundar no conteúdo. Uma delas envolve o Tanga Frouxa e bagrinhos da operação, alarmados com a possibilidade de Lula ser entrevistado na época da eleição, dizendo que rezavam todo dia pra que o maldito povo escolhesse o que eles queriam. A entrevista à Lhofa foi autorizada por Leviandowsky e sustada por InFucksWeTrust depois de liminar do Novo-meu-Ovo. Se a aparição de Lula elegeria Haddad nunca saberemos, mas que o MP queria desde sempre minar a democracia fica demonstrado para além de dúvida. Digo, para quem liga para fatos, porque o enlameado Fucks foi ovacionado em um voo ontem. No primeiro turno, uma mulher foi expulsa da aeronave por ter se incomodado com um canto bozonazista, o que mostra que os fascistas que não suportam pobres voando estão vencendo, ou ao menos muito à vontade para brandir sua escrotice sem freios. Bem, em outro trecho o Tanga Frouxa admite a fragilidade de sua tese acusatória e vai ao delírio com um achado que seria a maior “prova” do caso Guarujá, uma matéria de jornal sobre os problemas da cooperativa que poderiam PREJUDICAR o casal Lula, donos de cotas que lhes davam direito a uma unidade simples (putativa) numa das torres, que perderia a vista pro mar quando construída a outra torre, lá onde eles garantem que uma unidade tripla era de “posse informal” de Lula e teria recebido reformas suntuosas como propina, sendo que o Povo sem Medo entrou lá e mostrou um imóvel fuleiro. Moro surge então, comemorando as multidões que inflam seu boneco (e seguem inflando), mas principalmente tutelando o Tanga Frouxa e conduzindo, como já se desconfiava, a acusação, ou seja, uma das partes. Em um momento o Sarraceno aprova uma ilegalidade sugerida pelo outro contra uma testemunha recalcitrante: uma notícia apócrifa. Noutro, um réu que fora solto (pelo Teori, e a isso voltaremos) recebe imediata atenção da acusação/juízo; qualquer coisa vale para mandá-lo de volta ao xadrez, com direito a sarcasmo: “porque ele foi condenado nesse caso, oras bolas”. Moro sugere testemunhas, e numa das falas mais graves, acha-se na missão de “limpar o congresso” e chama o supremo de covarde (o que talvez seja, mas por outros motivos). A dupla debate a divulgação do áudio da Dilma, pelo qual Moro pediu perdão e depois despediu já morto o Teori (o único ministro que peitou Moro e cujo avião caiu, com praticamente silêncio da mídia ante notícia tão importante). Quando Moro alega não ter feito nada errado, é sincero. Ele caga pra lei e se crê mesmo iluminado para uma missão maior. O ministro-juiz-paladino recebe do Tanga Frouxa uma lista de envolvidos com a Odebrecht por cargos, encabeçada por “nove presidentes” (ou candidatos ao cargo), e sua resposta deixa claro que vai escolher o que ignorar. Após a revelação de que InFucksTheyTrust, saiu mais material envolvendo o tal Santos Lima e mais bagrinhos reagindo ao interrogatório do Lula, planejando uma nota à imprensa que apelasse, da forma mais apelativa, à bílis do público, usando até a Dona Marisa, em quem Lula teria, na visão deles, jogado a culpa. Um adulto na sala atuou para reduzir a nota a algo mais sólido (sendo sempre manifestação fora dos autos) e agora foi alçado a herói da esquerda, o tal de Assessor 2. Moro descreve a atuação da defesa como “showzinho”. A promiscuidade da Foça-Talefa com a Globo e com o Anta-Agonista do Mainardi pipoca sempre aqui e ali, e os lavajateiros soltam foguete a cada lambida que levam de Lhofa ou Estragão. Ainda vou comentar sobre as manifestações esquerdistas e fascistas que aconteceram, mas não hoje. Em meio a tudo isso, o governador do Rio quer mandar um míssil na Cidade de Deus. Wilson Mitzel. Alô Haia? Acaba mundo.

Acaba Mundo CCLXVIII

junho 14, 2019

Hoje são quatorze de junho de dois mil e dezenove e o mundo não acabou. Meses atrás eu tive dificuldade em instalar internet no novo lar doce lar e acabei abandonando a coluna de lado. Mas como era de se esperar, a situação sociopolítica do meu Brasil brasileiro não desanuviou nem um pouco, pelo contrário. Desde então o que se tem visto é a inépcia do governo, uma suposta briga entre militares e olavistas (quantos tanques tem Olavo? quantas ditaduras Olavo impôs outro dia mesmo?), mais medidas autoritárias só nos últimos dias questionadas no congresso ou no supremo, como a campanha do armamento, a extinção dos conselhos. Desmantelar o mecanismo anti-tortura rendeu denúncia na ONU, assim como Witzel mereceu a sua por seu tesão em morte. O mandante do assassinato de Marielle nada (a CNN Chile precisou apontar as ligações com o mandatário), Queiroz nada, nem Nóbrega. O antigoverno sabota o Fundo Amazônia: após denúncias vazias rechaçadas por Noruega e Alemanha, quer usar a grana pra pagar latifundiário e grileiro, numa clara provocação. Bem, tudo isso e muito mais é a semitirania bozonazista, mas eis que faz poucos dias explodiu uma bomba bombástica. Intercept Brasil solta conversas do Sarraceno, do Deltan Tanga Frouxa e mais outros bagrinhos da Lava Jato, e o conteúdo é estarrecedor. Ao menos para quem já desconfiava dessa farsa há muito tempo, porque quem comprou a farsa não pode largar mais o osso. Moro reagiu indignado com a revelação, no dia seguinte alegou forjamento; já tentou insistir que seu comportamento era absolutamente normal e agora já fala em “descuido”. A midiazona, Globo principalmente, visceralmente ligada à operação, faz escândalo com supostas invasões de hackers (criou-se até um estapafúrdio hacker que bate papo com a vítima e usa palavras como “outrossim” e “menoscabo”), e silencia sobre o conteúdo, é claro. Para ficar mais esquisito, as vítimas não querem entregar os celulares para a perícia. O supremo já marcou votação que soltaria Lula e o Villas Boas já repetiu a ameaça. O Intercept promete mais revelações (até o Fucks se melou na última) e nóis tá como? procrastinando trabalho do doutorado para acompanhar o espetáculo. Eu que critico a cultura do espetáculo. Vamos ver. Hoje é o dia da greve geral, e eu tenho um certo medo que aproveitem para pôr a mão de ferro na rua. Endurecimento é uma possibilidade e o esgarçamento ainda maior do tecido social em dois lados irreconciliáveis é uma certeza. Acaba Brasil. Acaba mundo.

Perfilar os supérfluos

junho 12, 2019

Nem que o último filho do samovar se mova devemos amarfanhar os folículos e perfilar os supérfluos. Agora é o chuveiro mais gótico de todo o alambrado, não convém um convescote com as pulgas. Eu sugiro que o provisório guarde as pestes e os empecilhos caprichem nas gôndolas. Nunca é demais um despautério trôpego desde que não assuste os bilhetes. O custo de alfinetar as correntes não é menor do que aquele barulho chato das suposições. O melhor mesmo é antecipar as cepas. Sussurrar os resquícios de cestos antes que seja sábado. De resto, é bom evitar as víboras e dissolver os sentidos, pois a extravagância do tamborete não chega a destinar os náufragos. Sempre que não chove é bom testar os dentes.

Inquietudes concêntricas

junho 12, 2019

Quem limpou as conjecturas com excertos de essências e sequer calcificou as inquietudes concêntricas? Depois que a cerca reivindicou a falta já não se pode achar sardinhas no sótão nem pasteurizar as nuances, já que nem mesmo o cerne do cisne poderia dizer. É sutil, na verdade, o cumprimento das distinções já não pernoita na prelazia. O riacho não migra e os ângulos retos dispensam todos os convites. Não precisava ser assim, o telhado não borbulhava em vão e o amargo mármore misturava emplastros sem mistério. Seria como dobrar a esquina e pô-la no bolso. Vai precisar de preencher as torradas, mesmo que o apito pisque e a sensaboria se abolete. Não tem outro jeito, porque a escrivaninha tem suas neuras, e o ônibus nem passa nesta rua mesmo. Se a solução está diluída, resta ao cipreste serpentear a perspectiva.

Não compete ao pato

junho 8, 2019

Não compete ao pato afivelar os fascículos de antanho. Quem diz isso é quem não assimila a sálvia. Quem vê o brócolis de bruços nunca que investe em vírgulas, não precisa avaliar o ventilador pra saber. Como se eu dissesse ao contrário, mas é justamente o companheiro do cometa que alerta, que o pavor distribui excessos como uma tilápia lépida. Nunca se sabre. Uma súcia súbita não sacia o cenário, é sempre preciso destorcer os compêndios. Por isso mesmo as luzes dormem na estrebaria, donde nem a geografia bascula, mas é verdade. O preço do pasmo é a turpitude dos mímicos, ninguém tenta mais plantar cinzeiros. E vai seguir chovendo meses.

Composto de pêssegos

junho 3, 2019

A esta altura todos sabem que a alegoria esgarça e o dicionário é composto de pêssegos. E ninguém liga pro torcicolo do cubo desde que a epifania perdeu as sandálias. Logo logo eles empastelam a esperteza do vaso uma vez mais e não vai faltar farofa a fiscalizar a garoa como se disso dependesse a manteiga do secretário. Então não custa dissecar o sabre da esquina onírica, nem que seja para se distanciar do sumiço, o que hoje em dia nem as corujas estão bem certas; pode ser que o cura escute e traga o balde. As teorias se alimentam mal e a paciência já não pode mais manter o preço do universo. Daqui pra frente, ainda que o ouro se ourice, que os campanários tussam em uníssono, por mais que a lagoa alugue o prólogo, tudo será exatamente intraduzível, como um pescoço de século.

Alheio ao alho

maio 28, 2019

Peguei a baleia das dez rumo à canícula e nem me importei com o inspetor que vaticinava enxofre alheio ao alho. Cheguei ao cheque a tempo de fustigar as fístulas, desavisadas que estavam quanto ao cálice. Ainda fiz questão de desparafusar o magma antes de pavimentar a angústia, afinal é melhor um combinar com um cotonete elíptico do que prevenir a surpresa do cisne. Festejei por horas a tensão dos bilros, pensando sempre na frigidez do sândalo. De tão distraído adociquei as janelas ébrias um tanto demais, e foi preciso fabricar as fitas que eu esqueci no forno. Quando eu percebi caía a via, e me pus a destilar a tilápia antes que explodisse o pêssego. Daí em diante os músculos se transformaram em fósforo, mas quando eu cheguei na Ásia eu encontrei as nuvens em chamas.

Lamber o limbo

maio 28, 2019

Não é o arquipélago que peleja a síncope, nem se sugere que os aeroportos se arrependam. Tudo que a ferida pede é preencher a ficha e lamber o limbo, de modo a modificar a órbita das margaridas. Chegamos ao mesmo caroço, e o que tinha ficado dos tijolos acabou justificando os pêsames, mesmo antes que o abacateiro fosse ao banheiro. Acho que era o caso de esparramar as certezas pelas margens da aliteração, resguardar os alicerces da fantasia, e adocicar o vernáculo. Os paramentos da lesma nunca incomodaram à penugem, e até onde se saiba o alento é questão de chuva, mas mesmo assim o barril é desnudo. É melhor arrodear a partícula, já que a jaqueta não se jacta da beterraba, e deus permitindo nenhum arquiteto vespertino vai violar a galáxia; pouco se sabe do que o eventual traz nos bolsos. O que resta é o passo em falso do laço, um jeito diferente de arrebentar anseios. Mas enquanto a conversa não inclui as moléstias, fica difícil completar qualquer cocar que compita concomitantemente ao cômputo dos códigos. O resto é cimento.